Mostrando postagens com marcador Friendship. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Friendship. Mostrar todas as postagens

sábado, 1 de maio de 2021

"Canção para ela"




Melodia de você, 

Sol e lua

Suor e sal.

Longos cabelos de areia

Da praia que te habita.

Passos bailantes de som e arte, 

Todo dia, do caos ao cais

azul e verde e dourado.

Verde olhar 

profeta de luz e ondas. 

Você, braços de barco, 

embalo do filho.

Você, poesia na pele, 

Convite ao intenso 

mergulho 

(a)mar.

Você se perde 

O mar te acha. 

Não há nada. 

Só você

no mar Para-ti.


(Inspirada na “Canção para ela”, de Jasmine e Rey Lobo, que me fez pensar em minha melhor amiga, Janine - Maninha, moradora do mar de Paraty, RJ)


sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Despedida de solteira


Saindo para jantar com o futuro marido, escolhemos uma mesa muito simpática que estava ao lado de uma mesa grande, com umas 20 mulheres, mais ou menos. Conhecíamos uma delas, que nos falou se tratar de uma despedida de solteira.

Eu, às vésperas de casar, pensei em como seria a minha e se eu teria uma, para começo de história.
Só sei dizer que, se tiver alguma coisa do gênero, por favor, que não seja parecido com aquilo que vi no restaurante.
Muita civilidade para o meu gosto!
Não ouvi boas e gostosas risadas entre as amigas, nem algumas lembrando dos tempos em que iam para a balada com a noiva em questão.
Nenhuma dica preciosa para os dias de lua de mel.
Nenhuma brincadeira para deixar sem graça a moça quase casada.

Sei que minhas amigas estão planejando alguma coisa para que haja algum tipo de despedida desses meus dias sem aliança na mão esquerda.
Nada extremo, do tipo "clube das mulheres", como algumas noivas preferem.
Mas que seja um momento de distração e divertimento, até para sair um pouco da tensão pré-festa (e tantas coisas para pensar ainda).

Acho sinceramente que a minha despedida de solteira já passou sem que tivesse uma data marcada. Aconteceu com as mesmas amigas que estarão nessa próxima, pré-agendada.
Foi uma despedida sem perceber, sem querer.
Aconteceu naqueles momentos de diversão entre amigas que antecederam a noite em que conheci o homem com quem vou me casar.
Foram todas aquelas festas em que bebi, todas em que não bebi, todas em que dancei e cantei junto com a banda.
Foram os encontros de "Clube da Luluzinha" na minha casa ou na casa das outras amigas.
Foram os domingos de praia da mulherada.
Os almoços que se estendiam até o jantar. As tardes no cinema e nos cafés.

Minha despedida da vida de solteira já passou. Foi divertidíssima! Mas, sem data marcada, sem convite, sem que houvesse uma cerimônia, o meu coração já se casou com o dele.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Mojitos


Voltava hoje do supermercado, andando, carregada de sacolas, e não pude deixar de lembrar...

Foi no meu primeiro ano de vida independente, morando sozinha, pagando minhas contas, naquele apartamento pelo qual me apaixonei no instante em que nele entrei. Foi no ano em que meu coração se partiu em vários pedaços irrecuperáveis, e que foi, depois, cuidadosamente tratado, a ponto de voltar batendo ainda mais forte. Foi o ano em que publiquei meu primeiro livro e que, ficando tanto tempo a sós, percebi que eu realmente gostava da minha companhia. Foi naquele ano, dentre tantas mudanças pessoais, que eu conheci uma das pessoas que levo sempre em meu coração, independente da distância.

O encontro foi por acaso, duas gaúchas recém chegadas e perdidas na cidade catarinense. A troca de telefones e o primeiro contato: “Vamos ao cinema?”. O filme não podia ter sido escolha pior para aquele momento: “O amor não tira férias”. Enquanto ambas tentávamos não pensar nas relações recém rompidas, víamos Cameron Diaz conseguindo chorar por Jude Law, e Kate Winslet retomar a confiança na vida e no amor com Jack Black. Choramos, claro! E talvez a cumplicidade das lágrimas de expectadoras românticas tenha ajudado ainda mais no início da amizade.

Eu não tinha carro, mas sabia que, num belo domingo de sol, eu receberia o telefonema dela para irmos juntas à praia. Sabia que, nos sábados à noite, a carona para Balneário Camboriú também estava garantida com segurança. Em contrapartida, ela sabia que, ao sair do trabalho, às 10 da noite, ela encontraria as portas do meu apartamento abertas para ela, e malzbier gelada na geladeira. Sabia que quando eu preparasse feijão, eu a chamaria para o almoço. Tínhamos uma à outra e isso nos mantinha fortes longe das famílias. E tínhamos mojitos... Nada poderia agradá-la mais que um bom papo regado a mojitos.

Então, em um dia de verão, ela ligou. Estava tão triste, que preferiria falar pessoalmente. Passei o dia preocupada com a amiga que, em geral, estava mais alto-astral que eu. Limpei todo o apartamento, pensei no prato que prepararia especialmente para ela e tive a grande ideia: vou aprender a preparar mojitos! Liguei para fontes cubanas para aprender como fazer, anotei tudo e fui ao supermercado. Comprei muito mais que os ingredientes de mojitos, mas não poderia deixar para trás o mais importante: run e hortelã! Acontece que nesse supermercado não tinha hortelã. E não existe mojitos sem hortelã! Saí de lá, já carregada de compras, rumo a outro supermercado. Foi quando me dei conta do peso que, agora seria obrigada a carregar.

(Fica o conselho: quando você for fazer compras sem carro, faça-as com a cestinha, não com o carrinho de supermercados. Ou você perde a noção do peso.)

Dito isso, e achado o hortelã no outro supermercado, fui para casa no tempo que eu levaria para atravessar a cidade, pois parava a cada quatro passos para descansar os braços. Suada e muito cansada, cheguei no apartamento e coloquei todas as compras em cima da mesa. Calculei o tempo que restava até a chegada da amiga e, ao me afastar para fechar a porta, vi que uma sacola caía e que eu não a alcançaria a tempo de salvá-la. Era o que não podia ser: a sacola em que estava a garrafa de run.

Tudo a perder porque minha mesa era muito pequena. O apartamento todo com cheiro de bebida alcoólica. Quase uma hora para limpar tudo. Dor nos ombros, braços e pernas, de tanto caminhar com todo aquele peso. O jantar para preparar. Mas só uma coisa não saía da minha cabeça: o quanto minha amiga ficaria feliz se eu conseguisse surpreendê-la com mojitos. Foi no carinho por ela que achei forças para fazer todo o percurso novamente, voltar ao supermercado e comprar outra garrafa de run, mesmo que a moça do caixa me taxasse de alcoólatra a partir dali.

Confesso que não lembro qual era o problema da minha amiga naquela noite. Passou. Mas o sorriso dela por causa do mojitos ficou registrado. Ombros amigos, boa música, run e hortelã. Não precisava de mais nada. A amizade valeu todo o esforço. Uma amizade como a nossa sempre vale qualquer esforço.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Love you too

Talvez a melhor maneira de sabermos de nós mesmos seja através daqueles que amamos. Não pelo que eles têm a dizer a nosso respeito, mas pelo que eles são. Porque o que eles são está refletido em nós de alguma maneira. Somos espelhos de quem nos cerca e também podemos nos ver nesses outros.

Um gosto pelo cinema, interesse pelos mesmos assuntos, sonhos que se aproximam, exatamente a mesma mania, hábitos construídos juntos, o mesmo "defeito de fábrica", expressões idiomáticas que ambos usam. Nem cabe inumerar o que nos torna semelhantes a alguém ou quando ou como.

Algo de nós está naquele amigo, naquele amor, naquele irmão. Algo que talvez nem consigamos identificar com facilidade. Ainda assim, é o que nos torna cúmplices. É o que torna aquele indivíduo diferente para nós, especial.

Dentre tantas pessoas no mundo, tantas pessoas que passam em nossos dias, quantas são as que amamos? Por que as amamos? Porque amamos o que de nós há nelas. E passamos a amar o que elas despertam em nós.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Pensando nos amigos e amigas...

Foi minha prima-amiga quem pediu, mas a ideia de escrever um texto especialmente para esse Dia do Amigo é antiga. Pensei, pensei, pensei em algo sobre a amizade que se adequasse a todos, com o qual todas as pessoas se identificassem, mas a única coisa na qual eu conseguia pensar quando o assunto é “amizade” era nas minhas amigas e amigos. Tudo bem que já está quase no finzinho do dia... (Ops! Já passou da meia-noite!) Mas amizade não depende de datas.

Fui lembrando de cada uma de minhas amigas e da história de cada uma dessas amizades. E me dei conta de que, ao apresentá-las para outras pessoas, o adjetivo nunca é apenas “amiga”, sempre tem um complemento: “essa é minha amiga X, da faculdade”, “essa é minha amiga Y, do trabalho”, “essa é minha amiga N, vizinha”. O tal complemento normalmente se refere à origem da amizade, que pode ser das mais remotas às mais recentes.

Tem amizade mais antiga e mais verdadeira que da própria mãe? Que orgulho dizer: essa é minha mãe e amiga! Amiga para todas as horas, para dar colo, para ajudar nas mudanças, para conselhos. Tão amiga quanto as amigas irmãs (de sangue mesmo). Amigas para sempre, de longe ou de perto. Como diz minha amiga-irmã Desirée: esse “casamento” é pra vida toda, para os momentos bons e para os ruins. Porque amizade também é um tipo de casamento, de união. Só dispensa o sexo e a convivência na mesma casa. Ou nem isso! Tantas amigas que moram juntas! Eu mesma já morei com uma amiga-ex-cunhada. Amizade também pode ser dividir as contas por algum tempo.

Lembro das amigas que intitulo “de infância”. A vizinha do prédio que não vejo há anos e que agora já comprou passagem para me visitar. A coleguinha de sala que continuou colega do magistério e que, apesar dos diferentes rumos, continua sendo a amiga do peito, mãe do meu afilhado e confidente incondicional. E as amigas que já eram crescidas quando eu ainda era criança, a amiga-cunhada, as amigas-primas para quem escrevi minhas primeiras cartas e com quem não abria mão de passar o maior tempo possível. Aliás, uma delas já gerou minha amiga-priminha, a linda Roberta que estampa a porta da minha geladeira e me enche de saudades. São amigas de todas as gerações: desde a mãe de todas, a tia, até a mais novinha e encantadora.

Mas eu não acredito que amizade verdadeira exista apenas entre pessoas do mesmo sexo. Além do meu amigo-irmão (o melhor de todos!), tenho meus amigos do tempo do mestrado, mesmo que a proximidade já não seja a mesma. O negócio é que amizade não se exclui da lista de contatos. E os amigos que são ex-alguma coisa: ex-cunhado, ex-concunhado, ex-colega, até ex-namorado, se isso não parecer muito surreal. Amigo que começou apenas virtual, amigo-primo (família é isso mesmo!), amigos-sobrinhos (meus amores para sempre!).

Tantos amigos e amigas na minha vida, que seria demais listar a história de todos. Como descrever o momento em que comecei a gostar daquela menina que me detestava nas “reuniões-dançantes” da antiga Cruz Alta? Como explicar que aquela passageira do ônibus percebeu que eu não estava bem e me ofereceu sua amizade, que eu continuo aceitando? E as colegas do pós, de quem não me desgrudo mais? Sem falar nas amigas das amigas, da irmã, ou de quem quer que seja, que acabam se tornando nossas amigas também. Tem como dizer que existe um tempo para determinar se uma amizade é consistente? Há um lugar ideal para se fazer amigos?

Eu, pessoa tão positiva, digo NÃO a essas perguntas. Porque minhas amigas e amigos me provam que não há tempo nem espaço nem explicação para amizade. A amizade se instala em nós independente disso. Sem pensar, sem questionar, sem perceber. Quando nos damos conta, somos amigos. E, uma vez amigos, nos tornamos melhores e aprendemos a dividir sem perdas. Apenas ganhos. E a certeza de que, se existe algum amor que é para sempre... é o amor-amigo.