Mostrando postagens com marcador The small things in life. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador The small things in life. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Frascos vazios


Uma das minhas mais secretas satisfações, dentre as inúmeras pequenas alegrias que criamos para nós mesmos, é esvaziar frascos, especialmente aqueles que mantemos no banheiro. Frascos de shampoo, de pasta de dentes, de cremes hidratantes, de perfumes. Digo especialmente esses,  pois são os que, normalmente, demoram muito para serem esvaziados - pelo menos, os meus.

Os frascos de perfume, por exemplo, ficam meses e meses ao seu dispor. Oferecem seu líquido magicamente perfumado para diversas ocasiões de sua vida, seja para o dia a dia do trabalho, para o momento refrescante após o banho ou aquele evento tão ansiosamente esperado. Você o usa com parcimônia. O perfume que se usa para trabalhar não é o mesmo que se usa para ir a uma festa. Ao chegar ao final, é importante poupar cada gota, borrifar de leve no seu pescoço para aproveitar o restinho do aroma que lhe fará falta. E quando finalmente acaba, por vezes você até pode guardar o vidro de perfume, por ser bonito e lhe trazer boas lembranças, mas acabou - deixe-o de lado e comece um novo.

Frascos de hidratante são igualmente interessantes, dos menores aos maiores. Também custam a terminar e o bom é raspar até o final, nas últimas sessões de hidratação de pele com ele. Quando realmente não há mais nada a lhe oferecer ali, então é hora de jogar fora. Abrir espaço no balcão da pia, colocar um novo em seu lugar.

O bacana desses frascos esvaziados é a sensação de conclusão, de finitude. Eles já lhe deram tudo que poderiam, foi uma curtição mútua e é hora de desapegar, mudar, começar de novo. Penso que essa é a razão pela qual eu goste tanto de chegar ao ponto de um frasco vazio. Desfazer-se dele pelo meio é desperdiçar metade do potencial oferecido, é desistir no meio do caminho, é inconclusivo. Bom mesmo é acabar com seu shampoo e ainda adicionar água no final para aproveitar um pouquinho mais do aroma, da sensação, do conteúdo.

É preciso chegar até o fim das coisas. É preciso esgotar as possibilidades. É preciso ficar com vontade de mais, ao invés de arrependimento por não ter aproveitado tudo o que podia. É preciso esvaziar. Esvaziar-se. Criar espaço. E começar tudo de novo.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Sweet memories




Fui taxada como louca ou, no mínimo, imaginativa demais por muitos anos entre meus irmãos. Sendo a mais nova de quatro filhos, sempre que nos reuníamos e começávamos a relembrar acontecimentos da nossa infância, os meus acabavam recebendo comentários como: "Tá louca? Isso nunca aconteceu!" ou "De onde você tirou isso? Só pode ter inventado!".

A irmã que é apenas três anos mais velha que eu enchia o peito e contava em detalhes suas memórias de nossas festas de aniversário, as Bodas de Ouro de nossos avós, os casamentos dos primos mais velhos. Eu mal me lembrava desses eventos. E não era por não ter idade suficiente para lembrar. Era que eu não lembrava mesmo.

Meu irmão, o único homem entre nós, nem tentava: "Não consigo lembrar direito de todas essas coisas que vocês falam... Como se minha vida tivesse começado mesmo só depois de uns 8 ou 10 anos de idade, a partir de quando eu começo a lembrar."

A mais velha, acumuladora de mais lembranças do que todos nós, conseguia ter memórias comparativas: "Quando eu era pequena, não podia fazer tais e tais coisas... já quando vocês tinham essa idade, o pai e mãe deixavam quase tudo!". Tinha uma certa mágoa de filha mais velha nesse discurso, a mágoa de quem foi a primeira cobaia no experimento parental de nossos pais, a vítima dos erros e acertos de quem está fazendo pela primeiríssima vez.

É engraçada essa coisa de ter lembranças. Li em algum lugar que nossas lembranças são frutos do que vivemos e também do que imaginamos ter vivido. É possível que tenhamos lembranças totalmente criadas por outrem: de tanto nos contarem e de tanto criarmos as imagens em nossa mente, nos apropriamos delas como nossas próprias memórias. E que bom termos essa habilidade! Que chata seria nossa caixinha de recordações cerebral se não tivesse uma pitada de fantasia.

Só que houve um dia em que uma das minhas lembranças compartilhadas e taxada igualmente de "imaginação" foi validada pela minha mãe. Mães são o armazenamento perene das recordações familiares e ninguém duvida do que uma mãe lembra (ou esquece). Ela falou algo como: "Foi assim mesmo como ela contou. Eu me lembro.". Pronto! Meu devaneio foi para sempre curado e eu deixei de ser (tão) lunática.

A constatação de minha mãe foi a permissão que faltava para analisarmos as razões pelas quais os outros irmãos não lembravam das vivências das quais eu me lembrava. Lembram de quando acampamos na beira da praia e os primos jogaram areia nos nossos olhos? Lembram de quando a mãe nos deu uma bronca e nos levou de castigo para o quarto, para então percebermos que tinha um presente-surpresa nos esperando lá? Lembram de brincarmos que estávamos perdidos em uma floresta no pomar da casa dos avós? Lembra, mana, quando você me colocou para escutar "Os saltimbancos" no sofá da sala, diante da lareira?

Concluímos que o meu processo de seleção de memórias é diferente do de meus irmãos. Enquanto eles lembram dos fatos marcantes e grandes eventos e festas, eu lembro de detalhes pequenos do nosso cotidiano. A minha memória prefere o que há de simples no dia a dia. Não lembro das Bodas dos meus avós, mas lembro da roupa rosa que estava usando, de sentar no colo magro de meu avô e ter conhecido meu primo bebê. Lembro dos diálogos, das brincadeiras bobas, do mate doce tomado na casa da vizinha. Eu lembro em pequena escala do que torna as minhas recordações grandiosas e preenche os espaços entre as grandes memórias construídas pela minha família. Eu não invento - eu complemento. Ou talvez eu até invente um pouco, como todos nós, para embelezar ou maquiar certas lembranças.

Meu plano é continuar lembrando exatamente das pequenas coisas... a camiseta que meu marido estava usando no dia em que nos conhecemos e o primeiro olhar dele que encontrou o meu. Estar deitada na cama com minha filha recém-nascida, com o corpinho quentinho dela colado no meu, o cheiro acolhedor da casa da minha mãe e o perfume do meu pai após o banho. O frio que sentia ao sair da universidade, de noite, e o encontro com minha amiga no banco do ônibus. Todas as pequenas vivências que me constituem e me fazem quem sou. Eu sou os grandes acontecimentos da minha vida - as festas, as celebrações, os eventos que merecem álbum, mas, mais que isso, sou o que vem antes e depois deles, sou o "making off", o ensaio, o imprevisto, a rotina, o que há de mais amplo e complexo no que preenche os dias.


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Bênçãos



Quase três anos atrás, no Natal de 2013, minha mãe deu a cada um dos filhos uma caixinha de madeira pintada por ela mesma e com a palavra "Bênçãos" escrita na tampa. Junto da caixa vinha um cartão, explicando que o maior desejo de uma mãe para seus filhos é que eles tivessem muitas bênçãos e alegrias, a cada dia do novo ano, e esperava que nós soubéssemos reconhecer todas essas alegrias. Então a ideia era escrever as coisas boas que o ano de 2014 nos traria e ir colocando os papéis naquela caixinha. Desse modo, teríamos uma boa ideia do quanto éramos privilegiados com pequenas e significativas alegrias da vida.

Eu segui a proposta e, a cada acontecimento bacana dos meus dias, escrevia em um papelzinho e colocava na caixa de bênçãos. Era também um exercício de enxergar o que era bom e que, por tantas vezes, passa despercebido, quase sem o devido valor. Um café com as amigas, um dia na praia, pequenas conquistas da filha. Confesso que não consegui fazer por muito tempo. Por alguma razão, só pratiquei esse exercício de bênçãos até março de 2014.

A questão é que encontrei essa caixinha há dois dias, exatamente na véspera do meu aniversário. Dediquei um tempo para ler cada um dos papéis, relembrando, com um sorriso no rosto, de cada um deles. Compartilhei essa leitura e as lembranças com meu marido e tivemos um momento de nostalgia com essas recordações tão boas.

Percebi que todas aquelas vivências, quando relembradas agora, dois anos depois, passam a impressão de que foram ainda melhores. Ficou quase aquela sensação de que éramos mais felizes em 2014 do que agora. Mas essa é uma impressão falsa. A verdade é que tudo depende de como se olha para os eventos - atuais e passados. O que vivemos em 2014 não foi melhor. Foi apenas o que aconteceu lá e o que eu escolhi registrar: o bom, o feliz, a bênção. Naquela época também tivemos problemas, mas nenhum deles, obviamente, entrou na caixa. E os desafios foram resolvidos e ficaram para trás, quase como se não tivessem existido.

Percebi que temos uma tendência errada de focar no que não está bom no presente, no que precisa ser feito, resolvido, nas contas que precisam ser pagas, no cansaço, no que não está dando certo. Tudo isso precisa de atenção, sim, mas não precisa ser o centro de nossa atenção. Tem tantas outras questões mais importantes na vida e que, inclusive, nos fazem bem. Aquele sorriso no meu rosto ao ler as bênçãos de 2014 não deve surgir no futuro, ao lembrar de hoje. Ele deve aparecer hoje mesmo, na vivência, no presente, no tempo real da bênção.

Percebi que preciso voltar a listar as bênçãos de meus dias e que o melhor momento seria a data do meu aniversário, início de um novo ano na minha vida, um ano que será cheio de bênçãos, de momentos felizes para curtir e registrar. Um ano em que eu valorize mais os presentes do dia e lembre deles com carinho depois, recordando, também, que soube valorizar cada um desses momentos.

Percebi que o que estou fazendo hoje é o simples ato de criar recordações. Consciente disso, quero criar recordações felizes, quero a serenidade do sorriso no rosto hoje e no futuro. Essa é a bênção.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Gentileza gera gentileza



A hora do jantar se aproxima e eu decido fazer uma sopa de legumes. O dia foi longo, o cansaço aparece, mas ainda tem tanto a fazer... Vou para a cozinha, escolho a panela, seleciono os legumes, lavo, corto. Enquanto organizo isso, aparece minha pequena ajudante de dois anos, puxa uma cadeira, fica em pé, em cima da cadeira, diante da pia, e diz "Eu ajudo". E ela ajuda mesmo, do jeitinho que sabe: lava os legumes, lava as panelinhas de brinquedo, lava as mãos, deixa tudo arrumadinho em cima da pia.

Enquanto a sopa ferve e penso que minha ajudante vai largar a pia e ir direto para os brinquedos, ela aparece na sala de jantar com seu prato, talher e copo, que ela mesma pegou da gaveta da cozinha. Posiciona na mesa do jeito que eu ensinei e pergunta: "O que mais?". Antes de mim, ela se adiantou para arrumar a mesa do jantar. Continuou levando tudo que não é perigo: colher, guardanapo, descanso de mesa. Continua sendo útil do jeitinho dela.

Meu coração já está em êxtase de alegria!

Quando tudo está pronto e sentamos para brincar de construir castelos, ela esbarra na nossa cachorrinha e, na mesma hora, fala: "Desculpa, She-ra!" (sim, nossa Shih-tzu tem nome de super-heroína).

Uma vez à mesa, depois de servir seu prato de sopa, espontaneamente, ela me diz: "Obrigada!".

Honestamente, não sei como foi que ensinamos todas essas pequenas delicadezas em dois anos e nove meses de vida. Mas, de alguma maneira, ela aprendeu. E, enquanto me emociono ao testemunhar essa pessoinha crescendo e mostrando quem é, peço a Deus, do fundo do meu coração, para que ela cresça assim, para que a vida não lhe "desensine" nesses pequenos gestos.

Eles farão com que a vida de minha filha gere um pouco mais de gentileza no mundo!

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Rotina

 
Acordo.
Dou de mamar.
Troco fraldas.
Troco de roupa.
Engulo café.
Dirijo.
Abasteço.
Trabalho.
Respondo e-mails.
Trabalho.
Atendo o telefone.
Almoço.
Trabalho.
Pago contas.
Faço compras.
Faço as unhas.
Leio.
Passeio.
Socializo.
Brinco.
Assisto TV.
Dou banho.
Tomo banho.
Dou de mamar.
Faço jantar.
Paro.
e
Espero
Pelo melhor:
Você.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

"Um pouco mais de Paciência"

Apesar de toda a modernidade

Apesar das tecnologias

Apesar da evolução dos tempos

Apesar da pressa,

Existe um exercício de paciência

Que nunca muda

Não diminui

Não se abrevia.

Definitivamente,

a maior lição de paciência que já me deram:

uma gestação.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Envelhecer



"Envelhecer só é bonito na poesia."


Ouvi isso de uma amiga e não consigo parar de pensar sobre o assunto...
Será mesmo?

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Did I learn that??


"I learned that I must accept people the way they are, just accept differences. I learned that it’s not “worthy” to expect from people, because most of the time you’ll get upset. I learned that I can’t trust everyone and that it’s not wrong to be scared or cry. I learned that you can’t treat every situation as a life-and-death matter, because you’ll die lots of times. I learned that a teacher doesn’t need to always be a teacher, but also a friend. I learned that things happen for a reason, even if most of the times you think it wasn’t meant to be. I learned that it’s not healthy to jump from head, risk everything you have inside of you, for someone or something, no matter how important one is for you. I learned that it’s normal to feel rotten, abysmal, dreadful and unseen when loosing someone you love, and that grieving is not a sin as I thought it was. I learned that when something bad happens, may not affect other people but yourself. That you can’t be ashamed forever, even though you feel mortified, one day you’ll have to let go and live your life. Because if you don’t, you’ll just be punishing yourself in the cruelest and painful way, and you’ll keep suffering until you decide to start over or continue your life. Just understand that you’re a human and make mistakes, like any other. I’m telling whom, because I don’t want people to end up like me, because I don’t wish this ending to anyone. All you have to do is admit your mistake, forgive yourself, and move on. I also learned that it’s worthless to get drunk if you’re sad, it doesn’t take you anywhere actually, trust me, I know. " (B. A.)

Esse é um trecho de um texto escrito por uma menina de 13 anos... Li, reli, li mais uma vez e concluí:
Ela já aprendeu mais da vida do que eu, com 31!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

sábado, 12 de fevereiro de 2011

You can cry...


Tenho visto tantas crianças ao meu redor... Crianças rindo a valer ou chorando com toda a força e revolta. Parece-me que falta à gente, às vezes, essa coragem de rir ou chorar como criança.

Rir de besteiras. Rir bem alto. Dar gargalhadas. Rir pra qualquer coisa e pra muitas pessoas por dia. Abrir um largo sorriso só porque te desejaram um bom dia. Rir do que é engraçado e até do que não tem graça. Rir porque é bom ouvir uma risada, ainda que seja a sua.

Ou, às vezes, chorar e chorar muito. Chorar de soluçar! Chorar com ruídos, com lágrimas pesadas realmente rolando no rosto, uma em cima da outra. Chorar porque deu vontade. Chorar porque tem motivo. Ou não. Só pra chamar a atenção. Chorar porque não era assim que você queria. Chorar porque se bateu no móvel ou porque algo seu se quebrou. Chorar porque acordou sozinho, no meio da noite, assustado.

Chorar porque alguém tem que ir embora ou tem que ir trabalhar e você não quer o afastamento. Crianças não têm noção exata do tempo. O tempo de alguém ir e voltar é uma eternidade, mesmo que sejam apenas algumas horas. E elas choram por essa ausência. Depois esquecem! Distraem-se com tantas outras coisas legais. Mas realmente lamentam a partida.

Chorar porque tem que tomar remédio. Porque tem que ir ao médico. Elas choram porque precisam tomar remédio ou porque estão doentes? Não sei ao certo, mas ambas as opções são, de fato, lamentáveis.

As crianças choram... Os adultos não choram mais do mesmo jeito. As lágrimas diminuem na mesma medida em que o corpo cresce. A gente amadurece. E gente madura chora devagar, silencioso, escondido.

Pois eu digo que devemos voltar a ter crises de choro de criança. Chorar muito! Com vontade! Ficar vermelho de tanto chorar!

Talvez a gente até ganhe um beijinho, um carinho...

E depois - por que não? - a gente até pode vir a dar muita risada de novo!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Segunda-dama??



Todo mundo tem falado nessa menina, Marcela Temer, esposa do Vice-presidente, Michel Temer.

Julgamentos (que não me cabem) à parte, fico intrigada com a posição que ela ocupa nessa hierarquia política que pouco entendo.

Chamam-na "Segunda-dama"...

Mas, vejam bem, se a Presidente, como bem sabemos, é uma mulher, que, caso fosse casada, teria o que chamamos de "Marido da Presidente" (e não "Primeiro-cavalheiro"), emerge a ausência de uma "Primeira-dama", concordam?

Sendo assim, por que a jovem Marcela é Segunda, se não há nenhuma outra dama antes dela???

;)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O conforto das noites

Estava com essa terrível dor no pescoço que não passava. Massagem, bolsa de água quente... Nada adiantou.

Tentei tirar o travesseiro. Talvez fosse isso. Passei a noite sem ele.

Foi uma sensação estranha. A gente precisa de algum conforto na vida. E na noite. E no sono.

Foi então que eu percebi:

Minha dor só vai passar quando eu puder dormir de novo nos teus braços.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O cheiro das coisas


As pessoas não entendem e acham um ato de falta de educação o que eu faço, mas, simplesmente, não consigo evitar! Quando me dou conta, já estou fazendo ou já fiz.

Pode parecer estranho, eu sei, mas tenho a mania de cheirar os alimentos antes de comer. Tudo:o café, o pão, a fruta, o feijão, o vinho, o molho de tomate.

Antes de levar à boca, aproximo do nariz para sentir o cheiro que vou comer.

Já que parece uma grosseria da minha parte, explico: o meu prazer de comer começa pelo olfato. Talvez seja por causa da lembrança de acordar na casa da minha avó já sentindo o cheirinho do café e do pão que em seguida eu encontraria na mesa. Ou a lembrança de voltar do colégio para casa e, antes de entrar, sentir o cheirinho da comida da minha mãe.

O aroma me alcança antes.

Às vezes estou no corredor do prédio e sei o que a vizinha está preparando pelo cheiro que exala.

Sim, em um restaurante por quilo, cheirar, ainda na colher, a comida que vou servir é estranho. Nesses casos públicos, só faço isso com pratos-novidade. Perdoem-me os chefs.

Os alimentos não teriam gosto se eu não sentisse seu aroma.

Até para saber se o arroz azedou, ou se algo está estragado na geladeira... Tudo pelo cheiro!

É o cheiro que já começa a me alimentar (e o que abre o apetite).

É o cheiro que conforta: o cheiro da casa da mãe, o perfume das mãos do pai que fica até na cuia de chimarrão, o cheiro do Amado, o cheiro do mar e o cheiro da chuva, o cheiro do travesseiro.

É o cheiro... A paixão se dá também pelo cheiro. O amor no cheirinho dos bebês. É o cheiro do que nutre, do que fortalece, do que dá prazer.

A comida pode alimentar meu corpo. Mas o cheiro alimenta minha alma.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Happy!



Por mais auto-ajuda que possa parecer,

o negócio é não ser do tipo que sabe agora do tempo que foi feliz no passado...

Bom mesmo é perceber o quanto se é feliz agora

E saber direitinho dos motivos!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Arco-íris

Você pode até me julgar boba, boazinha demais.

Mas agora entendo:

Enquanto alguns se esforçam para trazer dias de tempestade a quem os feriu, todos os dias,

Eu me esforço para construir o arco-íris que vem depois da ferida.

Todos os dias.

domingo, 4 de julho de 2010

Lixo


Lixo todo mundo tem em casa. Em várias partes da casa: banheiro, quarto, cozinha. E nele é depositado tudo o que não presta, tudo o que não tem mais utilidade para nós. Lixo todo mundo tem.

Pensemos no que colocamos no lixo... Restos de comida, latas vazias, papéis amassados, pontas de lápis, papel higiênico usado, fios de cabelo que ficaram na escova, frutas estragadas que tiveram seu sabor desperdiçado.

Quão significativo é rasgar uma fotografia e colocá-la no lixo? Uma carta, um número de telefone?

Quanto de nós já foi para o lixo? Nossas recordações, nossos velhos conhecidos, nossos efêmeros amigos e amores. O CD que não toca mais. A flor murcha que perdeu seu perfume. O endereço que nunca chegou a ser visitado. As notas de compras que perderam seu valor.

Até mesmo no computador há lixeira. E dentro dela já se perderam os e-mails que um dia nos encantaram, os trabalhos digitados que tanto esforço nos exigiram, o livro que desistimos de terminar de escrever. Ou de começar.

Muito de nós já foi para o lixo. O lixo de casa, o lixo do trabalho, o lixo da rua, a lata de lixo. Foi para o lixo o que já fez parte de nós um dia e que dificilmente será resgatado no lixão. Quem reaproveitaria o nosso lixo?

O que colocamos no lixo ou guardamos com toda cautela é uma escolha nossa. Por vezes, o que eu decido guardar, você colocaria no lixo. Aquela entrada de cinema, o papelzinho da bala, o pacote daquele presente, um recorte de jornal, um vidro de perfume vazio. Pode ser que um dia eu resolva colocar tudo isso na lixeira e deixar que o caminhão do lixo leve tudo embora.

Pode ser...

Não hoje. Não ainda.

Há certas coisas que nunca vão para o lixo.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Mau tempo?


Cheguei na sala de cinema uns 10 ou 15 minutos antes de iniciar a sessão.
Foi aí que percebi: as pessoas não têm mais tempo para o que não é bom.
Explico: olhei para o lado, e ninguém mais tinha tempo de ficar olhando para a tela em branco, pensando na vida, ou conversando com a pessoa que estava ao lado enquanto o filme não começava.
Estavam ligadas aos celulares, mandando e-mails, torpedos, tudo que preenchesse aquele tempo “perdido”.

As pessoas se enchem de remédios porque não têm tempo de ficar em casa, “de molho”, se recuperando de uma gripe, por exemplo.

Ou às vezes é o caso de o luto estar ali, doendo no coração, mas logo vem um psiquiatra dando remédios para que não se vivencie aquele momento, para passar melhor por ele, para não sentir.

Tempo para chorar. Tempo para lamentar. Tempo para sofrer.

Tempo para ficar cansado e para descansar.

Tempo para curar. Tempo para esperar. Esperar a chuva passar, esperar o filme começar, esperar a noite chegar. É só uma questão de tempo.

A vida moderna tem nos exigido que pulemos esse tempo todo. Que o preenchamos com outras coisas úteis (?).

Eu mesma já reparei que, quanto menor o texto postado aqui, mais leitores. Quanto maior, menos pessoas têm tempo suficiente para ler.

Tire um tempinho para pensar sobre isso... E sobre o quanto esse tempo todo ainda nos é necessário.

Ah! E pense por nós dois, porque eu tô sem tempo. Tenho que ir!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

terça-feira, 4 de maio de 2010

Thinking...


Quando alguém diz:

"Ela faz com que eu me sinta jovem de novo"

fico me perguntando o que há de ruim em se sentir com a idade que se tem...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Lei de Murphy pessoal


Esse tal de Edward Murphy deve ter sido um cara engraçado. Pessimistamente engraçado, claro. Mas, a partir de sua teoria, muitas outras variáveis dela se fizeram possíveis. Afinal, não é na hora em que entramos no banho que o telefone começa a tocar?

Comigo, a Lei de Murphy se aplica de um jeitinho único. Explico:

Existe, ainda e infelizmente, uma época do meu mês em que estou... digamos assim... desprovida de recursos financeiros. Vocês entenderam: acaba a grana e fico completamente sem dinheiro, contando os trocados, como vulgarmente se diz. Bem, é a época em que vou fazendo umas ginásticas financeiras e vou levando o pouco dindim até o limite, ou seja, até receber de novo.

Pois entendam: com tantas pessoas carentes no mundo, com tantos pedintes que existem na minha cidade TODOS OS DIAS DO ANO, os mais necessitados, os que mais despertam meu lado socialmente solidário, esses só me aparecem EXATAMENTE QUANDO NÃO TENHO DINHEIRO ALGUM!

É impressionante! Quando tenho algumas boas notas na carteira e poderia pagar uma refeição a um faminto de rua, nenhum deles aparece. Eles deixam para me procurar – e me achar – justamente quando eu mal consigo pagar as minhas próprias refeições.

Minha Lei de Murphy acaba sendo: "Se alguém vier me pedir dinheiro, será justamente quando eu não tenho".

Aí me pegam com uma dor na consciência danada... Fico pensando: por menos que eu tenha, essa pessoa aí tem ainda menos. E fico pensando o quão egoísta eu sou por não poder abrir mão desse pouquinho que me resta. Adivinha? Acabo sempre ajudando. Com merrecas, mas ajudo. Às vezes dou o lanche que estou levando na bolsa. Ou a passagem de ônibus. Ou o leite da criança que chora no colo da mãe. Depende da situação que aparecer.

É como se essa gente me olhasse o mês inteiro e esperasse eu chegar nesse ponto mensal de pobreza só para me testar: vamos ver se ela é capaz de fazer uma boa ação nesse aperto. E eu faço.

Ou talvez seja a mesma época em que todos os doadores anônimos da cidade também estão sem dinheiro; pode ser a fase de menor rentabilidade dos pedintes... Vai saber! Aí eles recorrem a qualquer loira que passe na rua. E eu, no meu complexo de culpa social, dou um jeito.

Não tem como a gente ser responsável por todo mundo. Também não tem como ver tanta pobreza e passar como se não fosse com a gente. Também não tem como ajudar a todos que precisam, nem de todas as formas que precisam. Mas, com ou sem grana, não tem como não tentar, mesmo que seja só um pouquinho.