sexta-feira, 28 de maio de 2010

Além de nós


Eu ainda quero saber de você. Você está feliz? A vida é para você tudo aquilo que imaginávamos que seria?

Eu sei que o convencional é não saber mais de você. Mas... e se eu me importo? Se nunca deixarei de me importar? Como não me importar depois de tudo?

Às vezes penso se você ainda ri daquele jeito, franzindo o nariz e soltando os ombros. Se você parou de fumar. Se continua esfregando um pé no outro quando senta com as pernas estendidas. Se ainda tem medo de ir ao dentista.

Eu não queria voltar no tempo. Só queria saber como teria sido. Queria ter visto os dias que nos empenhamos tanto em imaginar. E que se esvaziaram de nós.

As festas, as reuniões familiares, os amigos, as noites, os dias, os filhos – que teremos com outras pessoas. Os sonhos que cancelamos. As vidas que podamos.

Porque houve um momento em que tudo aquilo deixou de nos parecer certo. Em que você e eu não combinávamos. Houve o momento em que escolhemos diferente.
E soltamos as mãos. E desviamos os olhares. E a vida não deu “pause” por causa disso.

Casamos. Eu com ele. Você com ela.

Novas histórias. Novos enlaces. Outras pessoas.

Somos outras pessoas.

Não somos mais parte do “nós”, mas dessa alteridade que nos é alheia.

Ainda assim, o que passou nunca deixará de ter sido.

Um fim que não foi morte.

Não te matei em mim.

Não morri em você.

(Sobre)Vivemos para lados opostos.

Para além do que fomos nós.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Sophie Calle não me pediu, mas...


As palavras não bastam.
Você pode explicar, repetir, argumentar, explicar de novo e de novo...
Isso nunca bastará para eu entender como foi que você deixou de me amar.
Não diga que ama, se está dizendo que não dá mais.
Suas palavras não me completam.
Suas palavras não me dizem.
O que você tinha a me dizer terminou, com assinatura e tudo, e eu continuava procurando mais palavras, mais palavras, mais palavras.
Palavras diferentes.
Palavras que te desmentissem.
Palavras que enxugassem minha dor,
Que beijassem minhas mãos e meus olhos,
Que não fossem tudo o que suas palavras foram.
Cada palavra me matou.
Uma a uma, eu morri.
Meu nome
Seu nome
Separados pelo nosso fim.
Suas palavras: um excesso.
Melhor ter ficado sem elas(?).
Antes, suas palavras me complementavam.
Aí você escreveu mais.
Uma carta a mais.
Foi demais.
Foi mais do que eu podia ler.
Mais do que eu podia amar.
Sobrafardofim.


(PS1: O porquê desse texto está explicado no site da exposição "Cuide de você", de Sophie Calle, que passou por Salvador e deixou marcas em mim.)
(PS2: Para quem quiser conferir a carta de Gregóire para Sophie, basta clicar aqui.)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Um pouco de música

Só porque acho lindo o que o inglês Jamie Cullum fez com essa música... (e com tantas outras)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Twitter



Meus alunos me contaram que nesse tal de twitter (pois é, nunca fiz questão de tomar conhecimento sobre esse negócio) as pessoas colocam coisas do tipo "fui tomar banho", "estou indo pra faculdade", "cheguei em casa", "cansado", "feliz".

Fiquei pensando... Em que momento as pessoas pararam de falar umas com as outras e, agora, sentem necessidade de dar satisfação a um computador?

Com base nisso, continuo bem sem twittar.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A Ave-Maria

Há alguns dias tenho repetido uma rotina de percurso que me mantém dentro do carro no horário das 18 horas, invariavelmente. Everyday. De segunda a sexta-feira. Já que o recomendado é não usar o telefone celular enquanto se está dirigindo, que muito menos se pode ter acesso à internet, e que cansei dos CDs que tenho no veículo, acabo buscando nas rádios locais alguma distração, a sorte de tocar durante aquele percurso a música que estou gostando. Afinal, já que não há outro jeito a não ser encarar o trânsito, que seja da “menos pior” maneira.

Dia desses, trocando de uma estação a outra, qual não foi minha surpresa ao me deparar com um costume que eu pensava estar extinto: a Ave-Maria das 18 horas. Dentre tantas interpretações, que costumamos conferir inclusive em cerimônias de casamento, uma das minhas preferidas é essa de um espetáculo do Andre Rieu, interpretada por Mirusia Louwerse.



Esse costume que veio de Portugal permanece. Vem de um tempo em que as pessoas não usavam relógio e que a marca do final de um dia de trabalho era dada por essa canção-oração. Era o momento de todos rezarem juntos. O momento que não é nem dia, nem noite. É mistério. É reflexão do que já foi e anúncio do que está por vir.

Escute.

A música, tão sensivelmente interpretada, traz uma certa tranquilidade. Paz.

Em seguida, uma ponta de solidão.

E gratidão.

Certeza de que a humanidade é capaz de realizar o sublime.

É arte.

É o que relaxa. Um toque de religiosidade no meu dia.

Não é apenas ouvir. É o que nunca canso de sentir.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Filosofando



Segue filosofia da minha melhor amiga sobre relacionamentos:
(Sábia filosofia, aliás!)


"Romance é um tipo de terapia gratuita.
[...]
Pra que serve uma história de amor, se não for pra ser a melhor parte das nossas vidas?"

sábado, 8 de maio de 2010

Merecido Dia

Para minha irmã, que está gerando minha sobrinha,

UM FELIZ PRIMEIRO DIA DAS MÃES!



E para minha mãe, sempre, cada uma das minhas palavras de amor e até minhas não-palavras...

"Te amo" acaba sendo pouco.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Livros podem fazer mal à saúde


Terminando o primeiro livro,

cerveja e cigarro.

No segundo,

café. Muito café.

Concluo:

Nenhuma saúde sobrevive ao fim de um livro.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Thinking...


Quando alguém diz:

"Ela faz com que eu me sinta jovem de novo"

fico me perguntando o que há de ruim em se sentir com a idade que se tem...

terça-feira, 27 de abril de 2010

Do arrepio


Meu arrepio é exigente...

Só funciona

no frio

com isopor

ou, claro,

com você.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Lei de Murphy pessoal


Esse tal de Edward Murphy deve ter sido um cara engraçado. Pessimistamente engraçado, claro. Mas, a partir de sua teoria, muitas outras variáveis dela se fizeram possíveis. Afinal, não é na hora em que entramos no banho que o telefone começa a tocar?

Comigo, a Lei de Murphy se aplica de um jeitinho único. Explico:

Existe, ainda e infelizmente, uma época do meu mês em que estou... digamos assim... desprovida de recursos financeiros. Vocês entenderam: acaba a grana e fico completamente sem dinheiro, contando os trocados, como vulgarmente se diz. Bem, é a época em que vou fazendo umas ginásticas financeiras e vou levando o pouco dindim até o limite, ou seja, até receber de novo.

Pois entendam: com tantas pessoas carentes no mundo, com tantos pedintes que existem na minha cidade TODOS OS DIAS DO ANO, os mais necessitados, os que mais despertam meu lado socialmente solidário, esses só me aparecem EXATAMENTE QUANDO NÃO TENHO DINHEIRO ALGUM!

É impressionante! Quando tenho algumas boas notas na carteira e poderia pagar uma refeição a um faminto de rua, nenhum deles aparece. Eles deixam para me procurar – e me achar – justamente quando eu mal consigo pagar as minhas próprias refeições.

Minha Lei de Murphy acaba sendo: "Se alguém vier me pedir dinheiro, será justamente quando eu não tenho".

Aí me pegam com uma dor na consciência danada... Fico pensando: por menos que eu tenha, essa pessoa aí tem ainda menos. E fico pensando o quão egoísta eu sou por não poder abrir mão desse pouquinho que me resta. Adivinha? Acabo sempre ajudando. Com merrecas, mas ajudo. Às vezes dou o lanche que estou levando na bolsa. Ou a passagem de ônibus. Ou o leite da criança que chora no colo da mãe. Depende da situação que aparecer.

É como se essa gente me olhasse o mês inteiro e esperasse eu chegar nesse ponto mensal de pobreza só para me testar: vamos ver se ela é capaz de fazer uma boa ação nesse aperto. E eu faço.

Ou talvez seja a mesma época em que todos os doadores anônimos da cidade também estão sem dinheiro; pode ser a fase de menor rentabilidade dos pedintes... Vai saber! Aí eles recorrem a qualquer loira que passe na rua. E eu, no meu complexo de culpa social, dou um jeito.

Não tem como a gente ser responsável por todo mundo. Também não tem como ver tanta pobreza e passar como se não fosse com a gente. Também não tem como ajudar a todos que precisam, nem de todas as formas que precisam. Mas, com ou sem grana, não tem como não tentar, mesmo que seja só um pouquinho.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Eu admito

Sim, eu admito...

De fato, escrevo melhor quando estou triste. Deprimida. No fundo do poço. Arrasada.

Mas, poxa... Desculpa...

ESTAR FELIZ É TÃO BOM!!

terça-feira, 20 de abril de 2010

DIÁLOGOS V


(Amigo 1) - Não quero ficar com esses móveis. Não me trazem nenhuma recordação boa. O fim do meu casamento foi um período muito tenso, ruim mesmo...

(Amigo 2) - Sim... Todo fim de casamento é tenso e ruim. O meu também foi.

(Amiga dos dois) - É... A questão é que, se não fosse assim, não teria sido o fim.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

No campo... No mar...


Passei minha infância em uma cidade muito pequena no interior do Rio Grande do Sul. Adorava aquela cidade, a casa, as pessoas, a escola, a professora (sim, era a minha mãe, mas mesmo assim!), os amigos. E, além de viver nessa cidadezinha, havia outra coisa que me fazia feliz naquele tempo: ir para a fazenda. Não pense em grandes latifúndios! Na verdade, eu nem lembro o tamanho exato do lugar.

Quando a gente é criança, tudo se agiganta.

Mas tem algo muito peculiar ao lugar de que me lembro muito bem. Independente de conhecer as outras pessoas que moravam por lá, todos, ao passarem uns pelos outros na estrada, levantavam gentilmente a mão, abaixavam a cabeça, em sinal de cumprimento ao outro.

Hoje, na cidade, as pessoas apenas se cumprimentam caso se conheçam. Lá não é assim. As pessoas se cumprimentam em sinal de cumplicidade. Significa: “Eu sei do tipo de vida que você gosta, e eu gosto também”. Não é preciso dizer nada. Eles sabem que podem contar uns com os outros. Eles se cumprimentam. Entendem-se, mesmo sem nunca terem conversado. Habitam o mesmo parnasiano mundo.

Nunca mais fui para a fazenda. Nem aquela, nem outras. Estou mais perto do mar que do campo. Mas algo nesse lado de cá, litorâneo, é semelhante ao anterior:

Uma vez no mar, seja em um simples barquinho de pesca ou no melhor dos iates, todos fazem parte do mesmo oceânico mundo. Todos se cumprimentam. O significado é aquele mesmo: “Eu sei do tipo de vida que você gosta, e eu gosto também”. Significa expressar com um gesto de mãos, à distância, que você também é, ao seu jeito, apaixonado pelo mar. Significa que um não deixará o outro à deriva. É a cumplicidade dos que preferem a água à terra firme.

Encontrei isso no campo e no mar. Pude me sentir acolhida nesses lugares. Mas sei que essa simples tradição também ocorre em muito outros circuitos, como o aéreo. Ou vizinhos de um condomínio. Policiais. Muitos!

As pessoas precisam de outras pessoas com quem se identifiquem. Ainda é preciso saber que você pode contar com uma ajudinha de alguém que talvez você nem conheça.

Afinal, podemos até ser ilhas, mas dentro de um mesmo arquipélago.

Ainda precisamos de iguais. Ainda. E, talvez, cada vez mais.