terça-feira, 20 de abril de 2010

DIÁLOGOS V


(Amigo 1) - Não quero ficar com esses móveis. Não me trazem nenhuma recordação boa. O fim do meu casamento foi um período muito tenso, ruim mesmo...

(Amigo 2) - Sim... Todo fim de casamento é tenso e ruim. O meu também foi.

(Amiga dos dois) - É... A questão é que, se não fosse assim, não teria sido o fim.

8 comentários:

Mariana disse...

Concordo plenamente. E com conhecimento de causa!
Que bom que vc voltou...
Bj.

Lívia Novaes disse...

Dolorido... mas tão verdade.

mãe disse...

Verdadeiro ! Todo fim é sofrido, tenso, intenso ... mas o bom é que sempre existe um novo começo .
Já pensou em quanta coisa perderíamos , quantas pessoas deixaríamos de conhecer, se algo não tivesse terminado ?

Sasckia Duarte disse...

Todo fim é ponto de partida para um novo começo. Não chorar, recomeçar.

Gil Cardoso disse...

O Fim.

Sexta feira, 10Hs da manhã:
Alô é do abrigo? Eu tenho móveis pra doar vocês podem vir buscar? Claro eu espero obrigada! ...

Sábado 11:50 da manhã:
Almoço no Nacif do Barra.
Beijos estalados no novo amigo que veio pra ajudar na escolha dos móveis novos.

Domingo 10Hs da manhã:
A entrega! O cheiro de móvel novo, o novo perfume do amigo que ajuda com a mudança, e na taça cheia de cerveja gelada um brinde com cheiro de vida nova.

Anônimo disse...

Acho que a conclusão é extremamente pueril - ao encontro de expectativas vãs, cor de rosa, do que venha a ser um relacionamento.

De acordo com a lógica do raciocínio, foi o fim justamente porque foi tenso e ruim.

Acho que em geral as brigas de casais são tensas e ruins. Mas não acabam necessariamente em término.
O que dizes é que se houver tensão e ...(sei lá o que a imprecisão da escolha de "ruim"significa aqui), sempre haverá separação.

Além disso, nem todo fim é triste e ruim. Romper com um sádico é, ao contrário, libertador. Da mesma forma, pode-se citar milhares de exemplos.

Portanto, a tua afirmação é ridícula, sem fundamento.

E tudo se torna ainda mais patético quando preso aos móveis. Credo! O que desemboca naquele lixo cinematográfico "brilho eterno de uma mente sem lembranças": a escolha da falsificação biográfica, da perda de unidade da própria consciência, a recusa das consequências das próprias escolhas, por conta de um romancezinho. Estou farto de ver pessoas de papel, sem substância.

Outra coisa: a aliteração de fim, ruim e assim é terrível!

Bianca De Vit disse...

Meu caro anônimo,

muito obrigada pela sua atenta leitura e crítica!

Minha intenção não foi generalizar algo do tipo "todo fim de relacionamento é tenso e ruim". Na maior parte dos casos que conheço, é. Mas, de fato, isso não se aplica a todas as relações.

Concordo contigo quando dizes que outros momentos da relação também são tensos e ruins e que isso não significa término.

E, só para constar, a "aliteração horrível" foi mantida apenas porque foi assim que surgiu no diálogo-fonte. Nem tudo o que a gente fala é esteticamente correto, né?

Anymay... Normalmente o pessoal escreve comentários mais simpáticos que o teu. Mas quero mesmo que as pessoas entendam que o que busco são comentários sinceros, sejam eles positivos ou negativos com relação ao que escrevo.

Valeu! Volte sempre!

Anônimo disse...

Aliterações não são indesejadas... A questão é que precisam fazer sentido, em suma, parte do texto.

Vê esses versos de Camões:

Porém já cinco Sóis eram passados/
Que dali nos partíramos, cortando/
Os mares nunca de outrem navegados,/
Prosperamente os ventos assoprando,/
Quando uma noite, estando descuidados/
Na cortadora proa vigiando,/
Uma nuvem, que os ares escurece,/
Sobre nossas cabeças aparece./


Cortando, assoprando, estando, vigiando, quando: mostram a bonança do dias de navegação; é um efeito embalador, fluido, contínuo, em que o leitor deliza no sobe e desce monótono das ondas; um doce movimento de rimas despretensiosas.

De modo que no versos:

Quando ua noite, estando descuidados/
Na cortadora proa vigiando,/
ua nuvem, que os ares escurece

Há uma aparente contradição. Como "descuidado" e "vigiando" ao mesmo tempo? O que sugere um leve cochilo, justamente pela calmaria e ritmo das ondas.

O que culmina em uma nova escala de sons (escurece, aparece: "é", vogal aberta, que mais contrasta com a nasalação predominante no começo do poema), colocados ali justamente para ressaltar a quebra da bonança:

Uma nuvem, que os ares escurece,/
Sobre nossas cabeças aparece


Isso é aliteração! Tem um sentido... Se quiseres saber mais, tirei essas informações do livro "Camões, o Bruxo, de Auguto Meyer (escritor e poeta gaúcho, inclusive)". Há também o Tratado de Sons e Rimas, do Pfeifer (mas ele é alemão, brincadeira).