quinta-feira, 19 de novembro de 2009

De repente... 30??



Um dia a gente acorda com 30 anos. Para alguns, não faz a menor diferença. Para mim, fez. Eu não imaginava que faria, mas fez. E não foi exatamente no dia do meu aniversário. Aconteceu uns dois dias antes. Já estava me sentindo com trinta anos antes mesmo de completá-los.

Meu problema não era estar com 30 anos. Meu problema foi me dar conta de tudo o que eu havia planejado, lá pelos 15 ou 20 anos, para quando eu chegasse aos 30. A (ilusória) ideia que eu tinha era a de que uma mulher com 30 anos já está totalmente bem resolvida em todos os sentidos: pessoal e profissionalmente. Vida estabilizada. A probabilidade era estar casada, talvez até com um primeiro filho. Além disso, reconhecimento profissional, claro! Tudo perfeitinho! Vida definida... Era só aproveitar o resto dos anos.

Mas os 30 chegaram rápido demais! Não deu tempo de ajeitar tudo. Ou deu, mas aí eu mudei de ideia. Aí eu resolvi me mudar. Aí eu decidi não casar, tampouco ter filhos. Aí gostei desse negócio de estudar e continuei estudando, estudando...

Não sou a mulher de 30 anos que eu havia imaginado que seria. Com 15 anos, tive tudo o que uma adolescente como eu queria, com direito a baile de debutantes (!) e sonhos para o resto da vida... Sonhos que a mulher que me tornei resolveu mudar. Tudo que eu achei que já estaria acabado a essa altura da vida está recém começando.

Ou seja, precisei fazer 30 anos para entender que não adianta nada ficar planejando detalhadamente o que vai acontecer na minha vida em 10, 15 anos. Confio muito mais no que eu decidir quando chegar lá.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Cheirinho de amor



Quando ela o conhecera, a vida ainda não tinha perfume. Havia o calor das pessoas, havia a beleza das flores, havia o sabor dos alimentos, mas nada disso tinha aroma peculiar a ela. Olfato mesmo ela só se deu conta de que tinha quando sentiu o perfume dele. Seu hálito, sua pele, seu beijo... tudo cheirava bem.

Era cheirinho de amor.

Levada por ele, deu-lhe a mão esquerda. E mais. Tornara-se a mulher do homem mais perfumado que ela já conhecera. Perceba: não era perfume comprado, preparado, de boticários. Não havia igual. Era pura e simplesmente o perfume dele, daquele homem a quem ela se entregava todas as noites, durante todos os aromáticos anos de matrimônio.

Disso, outros cheiros vieram. Cheiros de Natal, de praia, de banhos de chuva, de bebê menina e bebê menino, de fraldas e mamadeiras. Cheiro de roupa limpa e roupa suja – “que se lava em casa”. Cheiro de lágrimas, de risos, de aniversários, de jantares, de amigos, de passeios, de presentes. Mas era com o cheiro daquele homem que ela sempre pegava no sono.

Até o dia em que, àquele cheiro tão familiar, misturou-se outro, estranho, doce demais. Era, sem dúvidas, o perfume de uma mulher que não era ela. Perfume que invadiu sua cama, sua paz, sua vida. Não cabia desvendar quem seria a dona do ofensivo aroma. Não havia espaço para tal perfume naquela casa.

Ele se foi. Perdeu-se nos caminhos que nunca mais o levaram de volta. Conheceu outros cheiros, outros gostos, outros corpos. Continuou com a sensação de quem viaja, embora soubesse que já não tinha mais um lar para o qual retornar.

Ela se manteve no papel da mulher que construíra ao longo dos anos. Ser mãe quase lhe bastava. Quase. Chegava a noite e ela sabia que sentiria falta daquele cheiro... Adormecia com o medo de voltar à fase de não reconhecer os aromas, de perder o olfato para o desgosto que ele lhe causara.

Então, em um amanhecer, ela despertou com aquele perfume. Não havia possibilidade de engano. Conhecia o cheiro. Era ele. Num sobressalto, procurou o aroma pelo quarto, pela sala, pela cozinha, pela casa toda. Nem sinal dele.

Houve outros momentos em que ela voltava a sentir o mesmo conhecido perfume. Parecia lhe perseguir. “Deve ser memória olfativa”, pensava. Procurava não pensar muito no assunto, mas continuava dormindo sempre no conforto daquele cheiro. Cheiro que lhe cercava, cheiro que lhe despertava, cheiro que lhe fazia bem...

Foi então que percebera.
O cheiro nunca fora dele.
O cheiro era dela. Emanava dela. Perfume natural que ela tinha.

Era sim o cheirinho de amor... Amor – agora entendia! – que sempre fora maior por ela própria.

domingo, 11 de outubro de 2009

Intervalo

Queridos leitores,

Peço desculpas por não postar textos nesses dias... Estou temporariamente sem internet, sem local de trabalho organizado e, claro, sem tempo. Assim que estiver organizada pós-mudança, volto ao mundo blogueiro com mais textos.

Beijo carinhoso a todos (e, se puderem, mandem boas energias para a nova fase, em um novo apê!)

Bianca

sábado, 26 de setembro de 2009

Selo

Olha que legal! Ganhei um "selo de qualidade de blog" de minha leitora e também blogueira http://fighter-girl-power.blogspot.com/



Tem umas regrinhas para ganhar esse selo, e eu, como obediente que sou, obedeço a todas!


Regras


1. Exibir a imagem do selo "Vale a pena acompanhar esse blog!" que você acabou de ganhar, com o link do Blog de quem indicou e um link do criador do Meme.

2. Escrever as regras em seu blog.

3. Indique no Mínimo 5 blogs e coloque os links de seus indicados no final do post.(O limite máximo de indicações de blogs cada um determina conforme achar conveniente)

4. Avisar a pessoa que você a indicou, deixando um comentário para ela.

5. Conferir se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.

6. Responder as perguntas abaixo:


1) Por que resolveu criar o blog?

Porque já tinha uns textos escritos e guardados, até que meu sobrinho criou o blog para mim, fazendo com que eu criasse coragem e colocasse a público o que escrevo.


2) O que te dá mais prazer em blogar?

Quando percebo que as pessoas se identificam com o que escrevo, ou interagem de alguma maneira. Ou seja, o que escrevo faz sentido para outras pessoas além de mim.

3) Qual o assunto que você mais gosta de postar?

Assunto? Qualquer um! Tudo é assunto sobre o qual posso escrever.


4) Por que escolheu esse nome para o blog?

Porque é para dar a ideia de que o conteúdo desse blog flui, não tem uma forma definida... É líquido!


5)você costuma visitar outros blogs?

Sim, sempre.

Segue abaixo a lista dos blogs aos quais eu repassarei o meme:

http://zanom.blogspot.com/
http://manuscritodegaveta.blogspot.com/
http://www.interney.net/blogs/locutorio/
http://aoutracasa.blogspot.com/
http://aquarelavel.blogspot.com/

terça-feira, 22 de setembro de 2009

"Som e Fúria"



Não entendo de música.

Sei que não é preciso muito

já que o vento assobia

e até os pneus cantam.

Mas mesmo que eu entendesse

e assobiasse

e cantasse,

Hoje

tudo que tenho para dar

é silêncio.

domingo, 20 de setembro de 2009

Vivendo e aprendendo (?)



Nascer não basta.

É preciso viver

Já que pra morrer

basta estar vivo.

Mas estar vivo basta?

sábado, 12 de setembro de 2009

A rosa

Rosa,

Cor da bochecha,

Da flor,

Da moça,

Oh, garota,

Mas que bela,

Bela como uma lótus,

Delicada como uma flor,

Oh, garota...



(Poema escrito pelo meu sobrinho Henrique, de 12 anos, "livremente inspirado" no poema "Rosa" que publiquei aqui. A Tia está orgulhosa!)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Um final feliz para a novela


Não adianta, quando chega nas últimas semanas, nos últimos capítulos da novela das oito, a gente acaba sabendo bem mais da trama do que durante todo o seu desenrolar. Todo mundo comenta, todo mundo dá palpite, as revistas sugerem muitas opções de como deve ser encerrado esse vício de grande número das famílias brasileiras.

Bem, eu vou acabar com o suspense. Se há uma certeza no que diz respeito a novelas, é o final. Porque final de novela tem que ser feliz! Os problemas se resolvem, as piores verdades são perdoadas e nos preparamos para a próxima imitação da vida (ou para imitar a próxima ficção, “hare baba”!).

O interessante é pensar no que tem sido representado como um “happy end”. Não considerando o contexto cultural em que se passa “Caminho das Índias”, via de regra, o final feliz para as mulheres se restringe a algumas poucas opções: casamento, gravidez ou ambos ao mesmo tempo. A leitura que se faz é, inevitavelmente, a de que, para ser feliz, a mulher precisa de um homem ao lado – que a engravide – para que a ordem da vida se restabeleça. Fácil assim!

Uma ou outra personagem feminina foge desses parâmetros. Usando exemplo dessa mesma novela, digamos que a Tônia realmente vá para a Alemanha em função da bolsa de estudos. Super upgrade profissional! Mas aposto que tem gente que vai dizer: que pena que ela não ficou com o Tarso, né?

Daí se reproduz o modelo de família feliz: mulher, marido e filhos... mesmo que seja uma farsa. Tanta gente infeliz nesse quadro perfeito de novela das oito, mas falta a coragem de admitir que talvez esse modelo não sirva para todo mundo. Talvez não sirva para todas as mulheres. Mas ainda há inúmeras famílias que educam suas filhas para serem boas esposas e mães. Se sobrar espaço para a vida profissional, ótimo! Se não, não vai fazer tanta falta assim. E para as meninas é difícil quebrar esse paradigma, pois crescem assistindo a novelas e filmes em que tudo termina bem para o casal e elas pensam que será assim com elas também, desde os tempos dos contos de fadas.

Amar é maravilhoso, sim! Constituir família deve ser, além de grande responsabilidade, uma delícia! Mas não é para todo mundo. Casamento ou gravidez, definitivamente, não é sinônimo de final feliz. Estar bem resolvida consigo mesma, sim!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

À procura de um apartamento, às vésperas do 7 de setembro

- Oi, bom dia!

- Bom dia!

- Você sabe me dizer se tem algum apartamento para alugar aqui nesse prédio?

- Tem, sim!

- E é de quantos quartos?

- Dois quartos mais a independência...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Novela


Em favor da natureza:

"Vale a pena

VERDE NOVO
"

sábado, 29 de agosto de 2009

O que não se sabe


Há sempre algo que não se sabe.
E há o medo do que não se deve saber.
Junto com a curiosidade.
E por mais que se queira
e por mais que se tente
e por mais que se imagine
e por mais que se fuja,
o que não se sabe é sempre maior.
Não se alcança.
Não se deixa ver.
Pode ser um pouco de tudo
ou muito de pouco,
é sempre mistério.
Segredo que não se conta.
Segrega.
Não se explica,
não se expõe,
não se compromete.
Não promete.
Apenas se esconde
diante dos nossos olhos.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Love you too

Talvez a melhor maneira de sabermos de nós mesmos seja através daqueles que amamos. Não pelo que eles têm a dizer a nosso respeito, mas pelo que eles são. Porque o que eles são está refletido em nós de alguma maneira. Somos espelhos de quem nos cerca e também podemos nos ver nesses outros.

Um gosto pelo cinema, interesse pelos mesmos assuntos, sonhos que se aproximam, exatamente a mesma mania, hábitos construídos juntos, o mesmo "defeito de fábrica", expressões idiomáticas que ambos usam. Nem cabe inumerar o que nos torna semelhantes a alguém ou quando ou como.

Algo de nós está naquele amigo, naquele amor, naquele irmão. Algo que talvez nem consigamos identificar com facilidade. Ainda assim, é o que nos torna cúmplices. É o que torna aquele indivíduo diferente para nós, especial.

Dentre tantas pessoas no mundo, tantas pessoas que passam em nossos dias, quantas são as que amamos? Por que as amamos? Porque amamos o que de nós há nelas. E passamos a amar o que elas despertam em nós.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Se

Se desculpar fosse redimir
Se chamar fosse ser atendido
Se estar ao chão não fosse cair
Se amar fosse ser correspondido


Se abrir os olhos já fosse viver
Se perguntar fosse ter respostas
Se recuar não fosse conter
Se virar não fosse dar as costas


Se correr não fosse fugir
Se jogar não exigisse apostas
Se esconder não fosse mentir
Se promessas fossem propostas


Se para encontrar não precisasse ter perdido
Se apenas pensar já fosse dizer
Se a paixão tivesse sentido
Se desejar fosse igual a ter


Se sonhos fossem realidade
Se não fosse tanta hesitação
Se chorar não fosse fragilidade
Então teria sido verdade,
E não (des)ilusão.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Nossa Majestade

Quem é que nunca foi conquistada por uma música do Roberto Carlos? E quem não foi, quem não gostaria de ser?

Brega ou não, o negócio é que o tal rei sabe dar pano pra manga de muitos conquistadores. Enfeita os discursos e as desculpas de vários homens, sensíveis a outro que sabe expressar em música os sentimentos que as mulheres gostam de ouvir.

Tantos casamentos com a trilha “Eu tenho tanto pra te falar, mas com palavras não sei dizer como é grande o meu amor por você...”

As letras dele aceitam até erro de concordância verbal, que tá tudo bem! (“Que foi que eu fiz pra que você me trate assim?”)

Quer dançar? “Festa de arromba”!

Rezar? “Jesus Cristo”.

Até quando o caso é de recomeçar pós-fim-de-relação, o cara tem as palavras... “Preciso acabar logo com isso / Preciso lembrar que eu existo, eu existo, eu existo.....”

Isso pra não falar da estrada de Santos, do ciúme, da mulher de 40 ou da mulher pequena, da namoradinha de um amigo meu... Enfim! Que tudo mais vá pro inferno! A minha preferida ainda é a usada para ME conquistar... “Promessa”:

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Meu amor e um travesseiro


Minha mãe mandava eu me aconselhar com o travesseiro quando eu era pequena. Não sei se era essa a razão, mas sempre fui muito apegada a ele. As crianças, normalmente, são apegadas aos seus travesseiros, dando-lhes inclusive um apelido carinhoso. Eu chamava o meu de “Nana” (som de ã no primeiro a). Letra maiúscula mesmo, pois era um bom amigo. Enxugava minhas lágrimas infantis e me despertava com conforto. Tinha cheirinho bom de sonho.

Carreguei o tal Nana comigo por muitos anos. Não admitia trocas. Apego não combina com substituição. Isso se estendeu até a adolescência (nem pense em ácaros! Eles também já eram meus amigos), até eu fazer uma viagem para visitar minha irmã e seu filho pequeno. O menino pedia sempre para dormir com o meu Nana. E eu deixava, durante todas as noites que passei na casa deles.

Na hora da despedida, com o Nana embaixo do braço, vi a carinha dele, triste por ter que ver indo embora tia e Nana. Foi assim que resolvi transferir um pedacinho do meu amor por ele na forma daquele travesseiro. O carro foi se afastando e eu o via abraçando com força o presente que a partir de então afagaria seus sonhos. Era um jeito de continuar ninando meu sobrinho à distância.

De lá para cá, passaram-se catorze anos. Meu sobrinho, agora, já tem até barba no rosto de homem. E minha alegria de tia é chegar no quarto dele e ver que, no meio de outros travesseiros, o Nana continua lá. Para dormir, ele ainda gosta do mesmo cheirinho de sonho que embalou nossas infâncias.