
Um dia a gente acorda com 30 anos. Para alguns, não faz a menor diferença. Para mim, fez. Eu não imaginava que faria, mas fez. E não foi exatamente no dia do meu aniversário. Aconteceu uns dois dias antes. Já estava me sentindo com trinta anos antes mesmo de completá-los.
Meu problema não era estar com 30 anos. Meu problema foi me dar conta de tudo o que eu havia planejado, lá pelos 15 ou 20 anos, para quando eu chegasse aos 30. A (ilusória) ideia que eu tinha era a de que uma mulher com 30 anos já está totalmente bem resolvida em todos os sentidos: pessoal e profissionalmente. Vida estabilizada. A probabilidade era estar casada, talvez até com um primeiro filho. Além disso, reconhecimento profissional, claro! Tudo perfeitinho! Vida definida... Era só aproveitar o resto dos anos.
Mas os 30 chegaram rápido demais! Não deu tempo de ajeitar tudo. Ou deu, mas aí eu mudei de ideia. Aí eu resolvi me mudar. Aí eu decidi não casar, tampouco ter filhos. Aí gostei desse negócio de estudar e continuei estudando, estudando...
Não sou a mulher de 30 anos que eu havia imaginado que seria. Com 15 anos, tive tudo o que uma adolescente como eu queria, com direito a baile de debutantes (!) e sonhos para o resto da vida... Sonhos que a mulher que me tornei resolveu mudar. Tudo que eu achei que já estaria acabado a essa altura da vida está recém começando.
Ou seja, precisei fazer 30 anos para entender que não adianta nada ficar planejando detalhadamente o que vai acontecer na minha vida em 10, 15 anos. Confio muito mais no que eu decidir quando chegar lá.











