
No fim das contas, não fez diferença.
Não fez diferença todas as vezes que se importou.
Nem todas as vezes que perdoou.
Todas as missas a que assistiu.
Todos os bons conselhos que ofertou.
O esforço pelo desprendimento não fez a menor diferença.
Tampouco as vezes em que abriu mão de suas vontades pela dos outros.
Todas as vezes em que ajudou quem precisava.
As orações. A fé. O otimismo.
Os favores. A boa vontade.
Não adiantou a fidelidade nas amizades e no amor.
Não fez a mínima diferença ter sido sempre o melhor na escola, no trabalho, na foto.
Ser politicamente correto não ajudou.
Fazer sua parte pelo mundo foi o mesmo que nada.
Hora extra por trabalho ou por solidariedade.
Não fez diferença ter zelado, ter cuidado, ter acreditado.
Nem ter dado a volta por cima.
Todas as vezes em que ponderou. Que deu outra chance.
A paciência. A espera. A confiança. O tempo.
O estudo. A entrega. O parco reconhecimento.
Ter sido pontual. Ter respeitado.
Não fez diferença toda a honestidade, o caráter.
Todas as vezes em que tentou acertar.
Todas as vezes que acertou.
E também as que errou.
No fim das contas, não fez diferença.
A vida não diferencia. Fode com todo mundo.
7 comentários:
isso foi tão lúcido e certeiro que me encolhi na cadeira.
Digo que a diferença reside no conteúdo da tua consciência!
Por exemplo, no meu caso, não haveria pior fim para mim do que morrer sem reconhecimento literário. E não estou falando de dinheiro e fama. Mas de seguir uma tradição séria.
O que julga meus atos presentes, então, é um tribunal soberado chamado ideal. Ele coordena meus esforços futuros e orienta o que devo fazer e para onde ir. É algo que desejo e, sem o qual, me sentiria extremamente fracassado.
A diferença entre persegui-lo ou, no caso, ser indiferente a minha vocação, determina se a minha vida tem sentido ou não!
E o fruto das minhas escolhas, rumo ao meu ideal ou para longe dele é algo que nunca será apagado da minha consciência.
Indo por outro caminho, faz muita diferença entre ser um assassino ou não, por exemplo. E toda escolha que você faz tem este viés: de consciência e de cunho social. Dependendo do que escolher, a diferença, nesse sentido, é enorme...
O Grito.
A fonte de inspiração d’O Grito foi encontrada na vida pessoal do próprio Edvard Munch.
Bianca,
No documentário "A vida é um sopro", sobre o Oscar Niemeyer, ele diz lá pelas tantas:
"O resto é lutar para o mundo ser melhor, a preocupação de uma
igualdade, a vida se fazer mais decente para todos. Esse é que deve
ser o pensamento de uma pessoa normal. Agora, diante da vida, você olha pro céu e fica espantado. É um universo fantástico que nos humilha e a gente não pode usufruir nada. A gente fica espantado é com
a força da inteligência do ser humano, que nasceu feito um animal
qualquer, e hoje pensa, daqui a pouco está andando pelas estrelas,
conversando com os outros seres humanos que estão por essas galáxias aí. Mas no fim, a resposta de tudo isso é isso: nasceu, morreu: fudeu-se."
Oie!!!!!!
Sodade...sumida!
Bjs.
Ana Lúcia
muito bom o texto..=D
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