sexta-feira, 20 de março de 2009

Cheque sem fundos


Tive a péssima experiência de ter meu talão de cheques furtado. Não sei quem foi. Não sei onde foi. Só sei que alguém o levou. E seja-lá-quem-for está passando cheques meus em diversos estabelecimentos. Cheques sem fundos. Depois de ver o rombo na minha conta, de perceber que não via o meu talão há dias e de tomar as atitudes necessárias, os cheques foram todos sustados. A partir disso, eu não terei mais prejuízo, mas muita gente por aí ainda está tendo.

Hoje vi que o último cheque que o ladrão passou foi no valor de dois mil reais. Fiquei pensando em quem recebeu esse meu cheque. Em quem confiou numa suposta Bianca, que assinou o meu nome, assumindo a minha conta bancária. Fez-se passar por mim. Ganhou a confiança do vendedor e saiu com a mercadoria, deixando um outro alguém muito pior que eu. A pessoa que recebeu o cheque acreditou que descontaria aquele valor. Estava contando com aquilo. E acaba se vendo de mãos vazias. Enganada. Roubada por um indivíduo que olhou em seus olhos, apertou sua mão, despediu-se satisfeito com o atendimento.

Nunca recebi um cheque sem fundos, mas imagino que a experiência deva ser muito frustrante. Assim, me ocorre que, na vida, não há apenas cheques sem fundos. Há pessoas que são exatamente assim: um cheque sem fundos. Aqueles que olham com ternura, que ganham a confiança, que ganham nosso crédito, que recebem o melhor da gente... E que, cedo ou tarde, se mostram uma farsa.

A gente acredita, deposita esperanças, se entrega. E não há retorno. Não há recíproca. Não há verdade. Quem recebe um cheque deve saber que está correndo o risco de ser vítima de um golpe. E quem recebe pessoas? Há de se pensar sempre em quem pode estar nos enganando ou não? É sempre um risco? É. É sempre um risco. E não há como saber exatamente o que virá. Não há garantias. Não há como saber o quão feliz ou quão machucado se ficará depois.

O coração não é como um banco, que dá ressarcimento. Ele poderá, inclusive, cobrar: “Como é que você foi acreditar nessa pessoa?”. Não há seguradora que ampare. Não há reparação. O único consolo é lembrar que, na maioria das vezes, os cheques que recebemos ainda têm fundos.

5 comentários:

Elton555 disse...

Péssima experiência esta tua, com o cheque. Deve ser algo terrível mesmo. Eu, para não ser roubado - pelos ladrões informais e pelos bancos - decidi não utilizar cheques ou cartões de crédito. Já em relação aos "relacionamentos sem fundos", bem, esses são mais complicados e não cabem em um único comentário.

Z, disse...

O importante nas pessoas não é somente os fundos, mas tambem o tamanho da poupança !

hehehehehehe!!!

Graziela disse...

amiga, to com saudades!!!!! ainda bem que voltou a escrever. Sempre olhava seu blog e nada de novo. Só queria saber de sol e amor em Salvador, hein? Ainda bem que voltou a nos encantar com seus textos!!! beijão

mãe disse...

Huuuuuuummmmmm!!!!! Que saudade dos teus textos ! Vê se não fica tanto tempo sem nos dar o prazer de ler o que escreves de maneira tão especial e que sempre trazem um pouquinho de ti para perto de nós .
Bjs,bjs,bjs

Concha disse...

Por cá,país de brandos costumes,já era,porque o crime,insegurança e a violência estão a aumentar.
Eu já foi assaltada duas vezes, levaram-me a carteira.
O dinheiro fez-me falta,mas,a maior chatice foi para requerer todosos meus documentos roubados. Tive de participar na polícia.
Eu queixosa, fizeram-me um inquérito como se fosse a culpada.
Senti-me desconfortável.
Nunca apareceram os meus documentos o dinheiro nem pensar.
Uma experiência muito desagradável...
Estou solidária contigo.
Um abraço