quarta-feira, 18 de março de 2009

Escovas de dentes


Há certas coisas que a gente, simplesmente, não empresta. Cresci com esses princípios e os segui à risca. Namorado, lógico, está fora de cogitação! Agora, os itens mais práticos da vida que aprendi a não emprestar em hipótese alguma: calcinhas e escova de dentes. Obviamente, também nunca pedi essas coisas emprestadas. Esqueci de levar calcinha na mala? Ou compro outra ou fico sem mesmo! (Afinal, nossa intimidade também merece respirar mais livremente... E é recomendação de ginecologistas!) E se esquecer a escova de dentes (coisa que só se vai lembrar na hora que se precisa usar), o jeito sempre foi dos menos eficazes: “escovar” com o dedo, fazer bochecho com a pasta de dentes... pelo menos disfarça o mau-hálito matinal!


Existe lógica nessas restrições. Os dois objetos entram em contato com partes muito particulares dos nossos corpos. Os micróbios que estão em minha escova de dentes são meus! Não que eu fique pensando neles... Mas são unicamente meus. Se eu usar a escova de dentes de outra pessoa, é como pegar mais uns micróbios emprestados de outra boca que não a minha. Ok... Num beijo essas trocas acontecem, mas é bem mais gostoso e é a dois!

Além do mais, escova de dentes é algo significativo. Não é à toa que se usa a expressão “juntar as escovas de dentes”. Tão romântico as duas escovinhas sobre o mesmo armário do mesmo banheiro!

E aí, pensei que estava preparada para levar a minha escova de dentes para essa nova fase. Achei que ela estaria preparada para deixar de ser a única no banheiro. E fui de coração feliz: eu, uma muda de roupas e minha escova de dentes. O clima de amor, de saudade, de ser a primeira de muitas noites juntos. Jantar, beijos, o caminho do novo lar. E a revelação: “Esqueci minha escova de dentes. Vou usar a sua, tá?”.

Como assim? Como vai usar a minha? Assim? Sem problema algum para a boca dele? E os meus micróbios?

Ele não se preocupou com nada disso. Usou minha escova com a maior naturalidade. E eu, mudando mil paradigmas em minha cabeça, usei-a logo em seguida. Esqueci os micróbios deles, os meus, esqueci toda essa bobagem. Naquelas alturas, eles já estavam em lugares trocados pelos beijos. Naquela noite, aprendi que “juntar escovas de dentes” é pouco. São vidas que se juntam. Juntam-se bocas, olhos, peles, corações. Depois disso, as restrições perdem a lógica.

3 comentários:

pensar disse...

É bem isso.Que ótimo.Bjs

Concha disse...

O amor é louco!
A paixão deixa-nos num mundo côr-de-rosa.
A vida continua numa correria.
Não controlamos o amanhâ.
Mas podemos com inteligência viver o momento....a felicidade.

Bjs

Cláudia Muniz disse...

Bianca querida!
Teu blog está cada dia mais interessante :D
Parabéns pelos textos inspiradores. Adoooro demais!
Saudades de tiiiiiiii *-*
Beijos
Cláudia :)