sábado, 8 de novembro de 2008

Os primeiros raios de sol...


Sempre sofri com um grave problema. É de nascença, eu sei. Para alguns, nem é problema. Por mais que eu tente, não será diferente. Sofro de uma brancura que me cobre, de ter quase a cor do leite, uma palidez lunar, como já me disseram. Não sou a única e sei que há casos piores que o meu. Mas é isso, uma herança genética da qual nunca conseguirei fugir.

É o tipo de brancura que se torna ainda mais branca quando resolve pegar os primeiros raios solares do verão. E quando isso acontece em uma cidade como Salvador, na Bahia, a minha palidez quase chega a cegar, perto de todas aquelas pessoas uniformemente bronzeadas, douradas, com cor de verão o ano todo.

E eu sempre me iludo achando que poderei ficar tão bronzeada quanto elas. Escolho uma cor na praia e a meta está traçada: quero ficar assim até o final do verão. Como é de se imaginar, isso nunca acontece. O que acontece são desastres típicos da estação para alguém tão clarinha quanto eu.

Preparo o kit-praia: protetor de todos os fatores, partindo do 15 (que minha dermatologista não leia isso!!), óculos, protetor labial, boné, canga, saída de banho, chinelo, biquíni e mais várias outras coisas que acabo não usando. Resolvo seguir o exemplo daquelas mulheres douradas estendidas ao sol e faço exatamente a mesma coisa: horas e horas em parceria com o astro dourado, num pacto secreto em que ele só me queimará sem machucar, devagar, mas com efeito; que, pelo menos em uma estação do ano, terei o privilégio de usar uma roupa branca sem parecer um fantasma.

Só que parece que o sol não concordou com as regras do pacto e resolveu ser cruel. Na hora, tudo parece estar sob controle. É a maior alegria afastar a alça do biquíni e ver que há uma discreta diferença entre a parte coberta e a exposta. Começo a me sentir íntima do sol e de suas manhas e deixo o resto das horas do dia surtir efeito.

Até chegar em casa e encontrar a primeira pessoa que não esteve na praia comigo: a cara de espanto, a exclamação “Meu Deus...” em tom de lamentação. Todo o orgulho adquirido por ter começado a mudar de tom começa a virar desconfiança de que algo saiu errado. E, como se fosse novidade, deparo-me diante do espelho. O estrago está feito. O que era para ser dourado virou a pior tonalidade de vermelho. Aquele vermelho que dói, que arde.

Banho frio e muito hidratante... Em que momento o sol me pegou desprevenida e fez isso comigo? “Deve ter sido durante as 5 horas que você ficou esparramada no sol”, alerta a sincera e irônica companhia de praia. Eu me boicotei. Fingi passar protetor, o que significa passar em algumas partes do corpo e deixar as outras a Deus dará... O resultado fica infinitamente pior. É um mapa-múndi mal desenhado em meu corpo como se o sol tivesse usado lápis-de-cor vermelho.

Mas não é apenas essas manchas amorfas espalhadas pelo corpo. É a dor que elas trazem. É tomar banho com medo de onde a água vai bater. É ter que escolher as roupas mais leves, quando a vontade é que a pele fique nua, sem contato com nada. É achar a posição para dormir sobre as escassas áreas do corpo que conseguiram a proteção do protetor solar. É limitar o abraço porque a ardência não diferencia o que é carinho. E o pior: é abdicar dos dias seguintes de praia e de sol por ter tentado desafiar a natureza logo no primeiro dia. E ficar com a voz do Pedro Bial repetindo a frase final de sua famosa mensagem: “Mas no protetor solar acredite”...

3 comentários:

Niléa disse...

Priminhaaaaaaaaaaa......parece que estou vendo....e pior, sentindo...beijos e aproveita!!

de Marte disse...

Bianca,

há uma música portuguesa já velhinha que diz assim:
"Quando a cabeça nao tem juizo
E te consomes, mais do que é preciso
O corpo é que paga"


É preciso ter cuidado com o astro-rei!!!

Beijinhos e continuação de boa escrita!

Ana Lúcia disse...

Oi Bibi!!!

Complicada essa nossa brancura Omo...rs..
Adorei!!!

Bj...bj...