sábado, 4 de abril de 2009

Um show (!)


Quis tanto e ontem eu consegui: fui ao show do Marcelo Camelo. Gravação do DVD. Não teve aquela história de “errou, faz de novo” pra aparecer bonitinho no vídeo. Foi do jeito que foi, com alguns erros, com semibeijo da Mallu Magalhães, com a invasão de um fã, com tudo o que é um show de verdade. E foi lindo!

Mas como é interessante ir a um show e prestar um pouco de atenção ao que se passa em volta, e não apenas no palco. Todos que são fãs de carteirinha do astro da noite se fazem presente. Uma vez lá, e esperando ansiosamente o início do show, todos os comentários rolam em torno do trabalho do artista, da melhor música, de quem tem a gravação mais rara, de quem sabe mais da vida do cara. Apostas de qual será a ordem de apresentação das músicas. Sugestões do que deve ser incluído ou deixado de fora. Qualquer um vira produtor nessa hora.

Aí o show começa. É quando a gente se dá conta de que aquela ideia de curtir o som, de escutar a voz que você só conhece por meio de um CD, não vai ser bem assim. O público se entusiasma de um jeito, se deixa levar por tamanha emoção, que canta junto, palavra por palavra, letra por letra, todas as músicas. Até o instrumental é imitado por uns e outros, que gritam na tentativa de se aproximar do som do violão, da bateria, de qualquer instrumento que esteja tocando no momento.

Com Marcelo Camelo não consegui me deter apenas nele e em sua timidez cantante. Os fãs disputaram minha atenção e meus olhares. Quando uma nova música começava, a vibração vinha pelo chão, pelo ar, pelo embalo. Cada um dos presentes sentia-se em dueto com Camelo. Não existe ridículo nessa hora. Existe cumplicidade com a letra, com os acordes, com o sentimento despertado pela música. Mesmo que cada um evoque seus próprios sentimentos.

Ouvindo atentamente a letra de uma das canções dele, cantada por um fanático entusiasmado ao meu lado, fiz toda uma nova interpretação do que a música poderia dizer. Ele se apropriou da canção e eu fiquei mais tocada com a versão daquele cara desconhecido no meio da multidão que com as várias vezes que escutara a mesma melodia no meu CD.

Assim, esse show me valeu para voltar a pensar no poder que uma boa música pode ter. Na quantidade de gente que se sensibiliza com o belo. Que canta e se encanta e não está nem aí em ser desafinado. A magia não está tanto na voz e em todo o conjunto de fatores que fazem uma música de qualidade. Está no modo como nos alcança e em como ficamos depois dela.

Um comentário:

Pedro disse...

Foi tudo isso e muito mais, tia...
Foi O show.