segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Do outro lado das dunas


Caminhar em dunas é uma excelente atividade física. Num exercício como esse, a pessoa sente o coração batendo a mil, a boca secar, o suor escorrer no meio das costas. Colocar um pé na frente (e em direção ao alto) do outro chega a ser custoso, doloroso, dependendo do preparo físico. Mas a gente se esforça, dá tudo de si, pois sabe que do outro lado daquelas dunas estará o mar. Sabe que a vista vale a pena. Sabe que o vento no rosto, lá no topo da duna, é o afago que recompensa.

É exaustivo passar uma noite em claro, finalizando um grande trabalho. Horas e horas diante do computador, cuja tela representa mais uma cobrança que um aliado. São necessários pequenos – e insuficientes – intervalos para esticar o corpo e lembrar que ainda existe uma coluna vertebral em algum lugar. Litros de café ou de coca-cola para se manter acordado – ou da mistura dos dois, a partir de um certo ponto. Mas você já pensa no sentimento de alívio que virá quando entregar o fruto de tanto esforço intelectual. Aguarda pelo reconhecimento. Sabe que o próximo sono virá acompanhado da sensação de dever cumprido. E por algum tempo você se dará o luxo de não ter compromissos. De curtir a fase – ainda que pequena – de ócio entre um projeto e outro.

Embarcar em uma nova viagem é principiar a ânsia da chegada. Foram dias planejando, escolhendo as roupas mais adequadas, controlando o peso da mala. As economias se veem finalmente sendo utilizadas. O caminho é longo. Os meios de transporte variam. Incluem avião, ônibus, táxi, trem, barco, o que for preciso. Horas de espera pelo próximo embarque. Sono interrompido pelas paradas. Fome enganada com lanches rápidos. Mas no destino final o reencontro te aguarda. O abraço esperado. As conversas guardadas. A inestimável companhia de quem há tempos não se via. Isso faz com que todo o percurso tenha valido a pena.

A gente passa por qualquer sufoco quando sabe que o retorno será bom. A gente aguenta, persiste, enfrenta. O depois vale o esforço. É nele que você pensa. A única possibilidade de desistência é quando se perde de vista o ponto de chegada. Não há recompensa. A luta torna-se vã. A gente precisa da perspectiva. Da fé no que virá amanhã. Porque no fundo todo mundo sabe cantar o famoso refrão: “Só quero saber do que pode dar certo... Não tenho tempo a perder.”

2 comentários:

pensar disse...

Outra perspectiva:Onde o destino é consequencia e o caminho é o que vale, vale, vale cada segundo.
É a vida do agora.
Adoro seus textos!
Um abraço

Bianca De Vit disse...

Você tem toda razão!! Às vezes nossos olhares estão mais voltados para o destino e a gente perde a melhor parte do caminho. Vale outro texto!!

Abração!