terça-feira, 20 de janeiro de 2009

"O primeiro amor passou, o segundo amor passou... Mas o coração continua"


Sentei ao lado de um jovem rapaz, lá pelos seus 15 ou 16 anos. Simpático, bonito, olhar otimista. Tinha nos braços o material da escola e, na mão esquerda, uma enorme aliança de prata. Essas alianças são o que chamamos de aliança de compromisso. São mais comuns, hoje em dia, que aliança de noivado. São usadas antes dela. Representam um estágio entre o "se conhecer, se apaixonar" e o "vamos casar". A aliança de compromisso não cobra datas nem enxoval. Ela significa, simplesmente, que se está no auge da paixão.

A aliança dele não estava na mão direita, como seria de praxe. Estava na esquerda, aquela destinada ao casamento. Penso que ele tenha tentado demonstrar mais intensidade ao compromisso. "Não duvide do amor que há em mim. Ele tem a melhor das intenções". Deve ser esse o recado. E quem duvidaria? Eu acredito verdadeiramente nas nobres intenções daquele menino. Mas isso não o torna mais do que um menino. Eu olhava para aquela mão orgulhosa da aliança e pensava: como é que se diz para esse ingênuo garoto que esse amor, essa aliança e tudo o que ela representa, que tudo isso não é para sempre? Que nos educaram para pensar que amor é para sempre, mas que a realidade não é bem assim.

Pensei em dizer a ele: moço, essa fase é linda, mas vai passar. Vocês pensam que foram feitos um para o outro, que nada mais importa no mundo além do amor entre vocês, que você encontrou o amor para toda a vida... Só que tudo isso irá se desfazer aos poucos. Vocês crescem juntos, descobrem o sexo juntos, amam e odeiam juntos, sofrem com as ausências, anseiam os encontros, lutam contra as inúmeras tentações, fazem planos, sonham com o futuro juntos... Até que olham um para o outro e percebem que algo ficou pelo caminho.

Não foi por mal, não foi por querer, mas já não se consegue resgatar o que se perdeu. Vocês vão se olhar, talvez ainda sentirão que se amam, mas não saberão mais exatamente por que estão juntos. E vai doer. Vai ser um vazio arrasador tomando conta de vocês. Vocês vão conversar, na tentativa de entender o que está se passando. Vocês vão tentar de novo e de novo. Vocês vão chorar. Vão sentir a dor física do fim. A árdua decisão de tirar a aliança do dedo e de tirar, junto com ela, todos os planos que agora já não terão lugar no seu futuro. Ninguém pode amenizar essa dor. Ninguém pode ajudar quando se trata do fim do primeiro amor. De fato, ele um dia nos abandona.

Como dizer algo assim para o coração tão puro e apaixonado daquele garoto? Para um coração que acredita no pra sempre? A resposta é simples. A gente não diz nada. A gente olha para aqueles olhos entusiasmados e tenta acreditar que o nosso próximo amor - esse sim - será para sempre.

11 comentários:

Thais disse...

Que lindo Bi!! Ficou perfeito para o momento, pena que doa tanto ler! Brigada por tudo! Te adoro! Beijão. Thaís

leco disse...

bah... perfeito!!
baita texto!

beijos tia. leco

Moni disse...

Nossa sei exatamente o que o fim de um amor platonico, torrente...
Estou passando por um agora mesmo.
o "meu" amor esta no fim, mas o dele não.
Então e cituação é bem mais complicada heim?!

bjos linda
Seu texto me fez refletir

ADOREI
Moni

RUTH disse...

BIANCA,a coragem está em nada deixar passar,de tudo teremos o que guardar, alguns nas polchetes de mão e outros nas entranhas da emoção que parte a alma mas deixa a V-I-D-A balançar e embalar novamente. Beijus te adoro.

de Marte disse...

Bianca,

este texto ficou muito bonito.
Mais bonito ainda, o sentimento que lhe deu origem.

Parabéns

[para ser sincera, eu adoro a ingenuidade do(s) amor(es),...]

Z, disse...

esse foi o melhor... Mas eu acredito no menino e em mim!

Só para raros disse...

Há um tempo eu cheguei a usar uma aliança de compromisso. Hoje ela jaz em um terreno baldio, arremessada em um assomo de raiva...
Isso não me faz descrente de relacionamentos, mas imensamente triste pela insegurança, vaidade, infantilidade e egoísmo que os compõem.
É possível fazer diferente? Talvez. Mas nunca vi um casal que não fizesse joguinhos de ciúme, que não se irritasse deliberadamente e fosse capaz de abrir mão de uma visão puramente fantasiosa dos motivos pelos quais estão juntos.
Existem outras maneiras, mais humanas no sentido de respeito e valores, de demonstrar amor. Mas parece que tudo é moldado de acordo com regras inquestionadas. É por isso que os restaurantes estão cheios no dia dos namorados, as floriculturas esgotam exemplares e etc...
Não ouso pensar que pessoas maduras se espelhem em filmes de comédia romântica. Ou deveria?

Prometeu Acorrentado disse...

Parabéns pelo texto, gostei muito.

Jão disse...

"O primeiro amor passou, o segundo amor passou... Mas o coração continua"


e como eles passam, mais acredito no amor, um dia ele chega e fica (assim espero), se não deu certo ainda e porque não está na hora.

belo blog...

Anônimo disse...

Bia, fiquei completamente emocionada com texto. Você é brilhante!

Priscila disse...

Amei este texto Bianca! Simples, tocante e de muito bom gosto!!! Parabéns!