segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Volte sempre!


Cada vez que volto à casa da minha mãe, faço uma visita para mim mesma. Visito o que eu era e o que vivi até mudar daquela cidade, daquela casa, daquela vida, na qual também fui feliz. Visito a Bianca de não muitos anos atrás, tento conhecê-la, saber de que modo ela se transformou em mim.


Abro as gavetas do criado mudo e da escrivaninha para saber o que eu costumava guardar. Revejo fotografias, releio cartões, folheio antigas agendas. A mesma letra, algumas amigas em comum, outras que não fazem mais parte dos meus contatos freqüentes.


Revisito os acontecimentos, o período de transição, a busca por um novo destino, a festinha de despedida organizada pela irmã e as lágrimas dela ao despedir-se na rodoviária. Lágrimas de quem sabia que a distância não seria tão grande assim, mas sabia também que aquela Bianca que partia não regressaria.


Cada vez que volto, estou modificada. Mais gorda, mais magra, novo corte de cabelo, modelito diferente. A mala costuma ser sempre a mesma, o que muda é a bagagem. Um trabalho inédito, um novo desafio a vencer, um coração partido, um prazo a cumprir, um novo amor, um livro terminado.


Remexo meus cadernos de faculdade, as provas, a dissertação. Durmo na cama na qual tive tantos bons e maus sonhos. Visto as poucas roupas que deixei para trás, o chinelo que foi substituído em um novo lugar. Olho pela janela do antigo quarto e a paisagem não é diferente. O que mudou foi o jeito de olhar. Tudo parte de uma vida na qual não me encaixo mais.


Voltar a essa cidade é sempre bom. Auto-terapia. É o que me faz lembrar como foi que as coisas aconteceram. É o que me mostra que mudar também é parte do processo. Que as mudanças proporcionam visitas a nós mesmos. Que mudar não significa deixar para trás, significa apenas escolher um lugar a mais para visitar.

2 comentários:

Anônimo disse...

Mana, tudo muda o tempo todo no mundo, né! E a gente não poderia ser diferente. Somos seres humanos constantemente em mutação. Mas o mais belo nisso tudo é que, não importa aonde vamos estar, com quem estamos convivendo, há sentimentos que não mudam e que nos unem para sempre. O amor... esse que tem diferentes formas e manisfestações, inclusive pra nos lembrar que tudo pode ser mudado, menos a nossa essência. E a tua minha irmã, é a mesma... linda e encatadora por dentro e por fora. Hj confesso, que sinto muito a falta do meu "rabo"!Te amo, minha escritora preferida. Bjos, Clari

Marcia disse...

Bi, chorei lendo essa. Me vi em cada descrição. E agora preciso me preparar para essa nova viagem em dezembro. Ai ai...