quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Love and the city


Tenho que confessar: sou uma cinéfila incorrigível. Adoro cinema, gostaria inclusive de ter tempo de estudar mais sobre a sétima arte. Gosto da telona e da telinha na minha casa. Gosto de ver os trailers, presto atenção nas trilhas sonoras, decoro as falas de alguns de meus filmes favoritos. Acho até que posso considerar a hipótese de dizer que choro mais em filmes do que na vida real. Todas as dicas de novos – ou velhos – títulos são bem-vindas.

Assisti, nessa semana, a um filme que muita gente pode não gostar. Minhas amigas já tinham visto e algumas indicaram. Meus amigos refugaram. Eu, como espectadora da série de televisão, não poderia deixar de ver “Sex and the city – O filme”. Não sou do tipo ligada à moda, mas sou do tipo ligada ao pensamento feminino, coisa que a personagem Carrie sabe expressar muito bem, na minha opinião.

No filme, as quatro personagens que figuraram por tantos anos na série de TV, como todo e qualquer mortal, envelheceram. Na TV, elas são as mulheres nova-iorquinas de 30 anos. No filme, as de 40. A mim, pareceu muito legítimo, uma vez que a mudança de idade também ocorreu – e como evitar? – com as telespectadoras. E é aos 41 anos que Carrie se vê enredada nos preparativos para o casamento. Não qualquer casamento, mas um suntuoso, gigantesco casamento, com tudo aquilo com que a gente pensa que qualquer mulher sonha: vestido de grife, ornamentos originais, a melhor decoração, o melhor organizador de festas e as amigas acompanhando tudo.

Tudo perfeito, exceto pelo fato de o casamento não se efetivar. O cara desiste na hora agá. Trava. Mostra-se totalmente inseguro diante de toda aquela estrutura, ou, nas palavras dele, “circo”. Ele fica, nos últimos instantes, esperando por um “sinal”... que não vem. Todos os convidados esperando, ela totalmente produzida, e ele parte. Parte o coração dela em mil pedaços, claro.

Entendo a apreensão dele. Entendo a desilusão dela. E o melhor estava por vir, mas, aí, você tem que ver o final do filme para saber. Porque esses eventos (que podem acontecer na vida da gente também) acabam desvelando algo em nossas vidas. Em princípio, tudo parece péssimo. Mas a situação vai se mostrando diferente com o tempo, especialmente para as mulheres.

As mulheres crescem ouvindo e acreditando em Contos de Fadas. Elas querem ser a Cinderela. Elas começam a esperar pelo Príncipe Encantado. E demora para perceberem que é uma espera vã. Elas sentem-se como saídas dos livros infantis, mas eles continuam lá, presos nas páginas do “E viveram felizes para sempre”.

No fundo, todas as mulheres gostariam de viver felizes para sempre. E os homens também – e por que não? Mas as coisas não funcionam dessa maneira. Os Príncipes e as Princesas são adaptados. Ele não virá em um cavalo branco. Pode ser em uma bicicleta. Ela não usa sapatinho de cristal, mas uma rasteirinha fica bem com aquele jeans.

E mais... Para ser feliz – ou tentar – a gente não é obrigado a seguir o padrão de um lindo casamento, cheio de testemunhas, de votos, de flores e da pureza ultrapassada do branco. Convenhamos... Nem sempre dão certo. A quantos desses casamentos maravilhosos você já foi, cujo casal, hoje em dia, já está bem separado e até vivendo suas vidas com outras pessoas?

Não estou dizendo que não podem dar certo. Podem. Mas a cerimônia pomposa não é sinônimo de sucesso matrimonial. Na real, o que pode fazer funcionar é a boa vontade dos dois, não a roupa que eles usam no momento em que decidem passar o resto da vida juntos. E tomar essa decisão é muito importante, mas independe do lugar em que acontece. Pode ser no meio de uma festa, no aconchego da cama, na igreja ou até num cartório, desde que seja feita de todo o coração.

Eu, como exemplar vítima – em recuperação – do Complexo de Cinderela, bem que gostaria de acreditar em casamento. Mas, desculpa, eu não acredito. Acredito em pessoas. Acredito no amor entre as pessoas. Mas, a meu ver, nem padre nem papel algum podem garantir a continuidade desse amor. Não adianta fugir: it’s up to you.

3 comentários:

Ana Lúcia disse...

Oi Bibi...

Concordo plenamente...acredito no amor...nas pessoas,mas não em papéis, em regras, em tradições.
Quero mesmo é ser feliz!!
Bj..bj.

RUTH disse...

BIANCA,

Concordamos em todos os critérios de Felicidade Matrimonial, ela é cultivada no dia a dia e o documento oficializado, não será nunca o estandarde da garantia até que a morte os separe.

rosane disse...

...acredite no encanto...ele é tb verdadeiro..além de tudo a ciderela existe dentro de nós ...vc pode ter certeza é apenas questão de tempo.......amotalot4ever