terça-feira, 7 de outubro de 2008

Quando é preciso escolher




Não há mais como adiar. Chegou o momento em que preciso escolher. Não posso continuar com os dois. Não sei lidar com essa situação. Ter que dar atenção para os dois. Saber que ambos precisam de mim e eu nessa dupla cilada.

Não sei fingir. Como olhar para os olhos de um sem lembrar de tudo o que o outro é, de tudo o que ainda posso ter com o outro. E quando acho que estou me decidindo pelo outro, penso também em todas as coisas boas do primeiro. Tenho que reconhecer as qualidades de cada um.

Vou para a cama pensando nisso, lembrando de um e de outro, sabendo que não há lugar para os dois ali. Que meu mundo é pequeno demais para nós três. E que a sociedade toda também não aceita que eu fique com os dois.

Não posso mais fingir que um não sabe do outro. Eu sei que sabem. Mas preferem fazer de conta que não. Um se sente ameaçado pelo outro, claro. Eles sabem que meu coração está dividido. Sabem que eu não tenho certeza do que quero.

Seria mais fácil se eu não tivesse me colocado nessa situação. Mas a gente não percebe quando está entrando em algo assim. Vai se deixando envolver pelas doces palavras, pelas promessas felizes, pela esperança de segurança, de amparo, de sentir-se bem.

Eu poderia dizer que seria mais fácil se alguém escolhesse por mim. Se alguém pesasse os prós e contras de cada um deles e me dissesse com toda a segurança: esse é o melhor para você. Mas não funciona assim.

Não posso fugir da decisão que me cabe tomar. E terá que ser logo. O melhor é não pensar em quem poderei magoar. Alguém sempre sai magoado em triângulos assim. Vou ter que ser egoísta. Tenho que pensar no que será melhor para mim. Mesmo não sendo uma decisão fácil, é inadiável. Tenho que escolher entre os dois nessas eleições.

3 comentários:

mãe disse...

Nêga , tu és genial !
Consegues sempre me assustar e surpreender .
Adoro este teu jeito único de escrever sobre os mais variados assuntos . Reflete sempre a pessoa que conheço tão bem : às vezes a menininha sapeca , outras a meiga ,depois a generosa ou a empolgada . ..A alegre , a triste , a faceira ,a vaidosa , a algumas vezes atrapalhada , a quieta , a falante , mas sempre a minha filhinha !
Te amo

Niléa disse...

Prima...que susto...hahahahahaha, eu sabia que teria uma surpresa no final!!!!!!!Te amo

Anônimo disse...

Bianca, querida

Estive admirando teus últimos acordes literários e, literalmente, ouvi-os no meu coração. Tuas palavras tocam a alma, na alma.
Hoje, não é o “fim de tarde de domingo”, mas de sábado, e “falando em saudade”, lembrei de tantas outras tardes em que passamos horas felizes, concordando que “com mãe não se discute”, pois rodeávamos uma senhora, que ouvia “La Cumparsita” e nos abraçava com suas músicas românticas, fazendo com que sonhássemos com “lovers” tão extraordinários como estes que retrataste tão inteligentemente.
Também amo o ritmo envolvente e “Tango Méditerranée” é o mais belo de todos que conheço, embora não só Francis López, como Gardel e Bajofondo compuseram maravilhas nessa cadência mágica.
Realmente, “quando o assunto é a escrita ficção e exposição são sempre sinais que se invertem e se confundem....”
Assim, saudosistas, somos todos nós, sempre!
Mais?...”Não pergunte!”
Carregamos na mente, “letras espelhadas” em tons vermelho brilhante, formando a palavra AMOR, sentimento que trazemos no coração e é esse que te envio agora, para que te sintas abraçada por mim e tenhas a certeza de que embora sozinha, nunca estarás só, pois nosso pensamento está contigo.

Irene